Fogo Cruzado
capítulo 76
ÀS VEZES AS DESCOBERTAS num caso de assassinato vêm do nada – como um telefonema numa manhã de domingo, de um lugar que você jamais esperaria.
– Detetive Cross?
– Sim?
– Aqui é o detetive Scott Cowen, do Departamento de Polícia de Brick Township, Nova Jersey. Acho que podemos ter uma informação para o seu caso do atirador de elite.
A Polícia Metropolitana vinha recebendo literalmente centenas de dicas todas as semanas, através de uma linha telefônica especial dedicada ao caso do atirador. Mais de 99 por cento dessas dicas eram fruto da imaginação de quem ligava ou becos sem saída, mas o que quer que Cowen soubesse o havia feito passar pelo despachante. Agora ele tinha minha atenção.
Virei meu jornal de lado e comecei a escrever perto das palavras cruzadas. Cowen. Brick Township.
– Pode falar – disse eu.
– Ontem à tarde tiramos um Suburban branco 1992 do lago Turn Mill, aqui perto. As placas tinham sido arrancadas, o que não é nenhuma surpresa, mas não creio que quem o largou ali esperava que a gente o encontrasse, pelo menos não tão depressa. Acontece que tínhamos um show aéreo com ultraleves acontecendo no aeroporto nesse fim de semana e dois caras que passaram por cima do lago viram alguma coisa lá embaixo e ligaram avisando...
– Ah, é? – disse eu. Cowen falava sem fazer qualquer pausa para respirar.
– É, então acho que ele não podia estar na água há mais de 48 horas, porque ainda conseguimos umas digitais ótimas. Seis delas tinham 12 ou mais pontos de identificação cada, o que em teoria era ótimo, até que nenhuma delas apareceu na minha primeira passagem no banco de dados...
– Detetive, desculpe interromper, mas será que pode explicar como isso tem a ver com o meu caso?
– Bom, o negócio é o seguinte. Eu achava que estávamos em um beco sem saída aqui também, mas hoje cedo recebi um telefonema da polícia do estado. Parece que uma das seis digitais combina com a do seu desconhecido aí.
Agora estamos chegando a algum lugar. Levantei-me do sofá e fui quase correndo para o sótão. Precisava de meus gráficos e anotações imediatamente.
“Desconhecido” era mesmo a única designação que tínhamos para nosso atirador fantasma. A digital que ele havia deixado na noite do primeiro assassinato, e de novo no Memorial da Lei, fora deliberada, como um cartão de visita. Essa nova digital me parecia muito mais um passo errado e a essa altura eu adoraria um bom erro.
Imaginei se as outras digitais que havia no carro pertenceriam ao mesmo cara ou se conseguiríamos uma pista que levasse aos dois membros da nossa equipe de atiradores.
Por enquanto guardei esse pensamento para mim.
– Detetive Cowen de Brick Township, o senhor pode ter salvado o meu dia. Poderia me mandar tudo o que tem?
– Me dê o seu e-mail. Foi tudo escaneado e está pronto para ser enviado. Temos seis digitais inteiras, como eu disse, além de nove parciais. Foi realmente um golpe de sorte termos achado o tal veículo tão depressa...
Passei meu endereço eletrônico para ele e disse:
– Desculpe a pressa, mas estou meio ansioso para ver o que vocês conseguiram.
– Sem problema. – Ouvi-o digitar do outro lado da linha. – Pronto, acabei de mandar. Se precisar de mais alguma coisa ou se quiser vir aqui dar uma olhada, ou qualquer outra coisa , é só dizer.
– Pode deixar.
Na verdade, enquanto ele falava eu já havia mapeado o caminho para Brick Township, Nova Jersey, no meu laptop. Se isso fosse o que aparentava ser, eu iria me encontrar com o detetive Cowen pessoalmente antes do fim do dia, e ele e eu iríamos dar uma olhada – ou qualquer outra coisa.