Fogo Cruzado

James Patterson · Capítulo 55 de 129

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Fogo Cruzado

capítulo 51

 

PATEL COLOCOU-ME RAPIDAMENTE a par dos e-mails do True Press. Na verdade não havia muito a dizer, pelo menos nesse ponto de sua investigação.

– Baseado no cabeçalho, no endereço de IP e no que consegui com o registro lá em Georgetown, a conta de Jayson Wexler estava aberta e ativa no momento em que os dois e-mails foram mandados – disse ela.

– O que não quer dizer que o próprio Wexler os tenha enviado.

– Exato. Só que as mensagens se originaram de sua conta ou passaram por ela de algum modo.

– Passaram por ela?

– É possível que alguém tenha usado um sistema de reenvio anônimo a partir de um local remoto, mas na verdade não haveria motivo para isso. Um laptop roubado que não é encontrado é um beco sem saída perfeito em termos legais. É melhor você começar a procurar alguma testemunha do próprio roubo.

– Nós fizemos entrevistas em toda a região em que Wexler diz que o computador foi roubado – falei. – Não chegamos a lugar algum. E as câmeras de vigilância mais próximas são do Departamento de Transportes, na Rua K. Não há nada no parque. Ninguém viu nada, o que é meio estranho.

Patel se recostou, balançando uma caneta entre os dedos.

– Então, posso continuar? Porque há mais notícias ruins.

Passei a mão sobre a boca e o queixo, um velho tique.

– Você está luminosa como o sol hoje, não é?

– Tecnicamente essa parte é do Siegel, de modo que você não pode usar isso contra mim.

Eu gostava de trabalhar com Patel. Ela parecia manter o senso de humor apesar de tudo, e o humor era negro e profundo.

– Vá em frente. Posso aguentar qualquer coisa que você diga.

– Tem a ver com o tal apelido, “Patriota”, que eles usaram num dos e-mails. Desde que o True Press publicou a matéria, o nome parece ter pegado, e de um modo bem assustador. Temos pessoas de todos os tipos espumando pela boca, desde as figuras radicais antiglobalização até os profetas do apocalipse de direita. O FBI já está trabalhando com a possibilidade de assassinatos como homenagem.

Ela fez uma busca simples em seu laptop. Menos de um minuto depois eu estava olhando as páginas de resultados: sites, blogs, videoblogs, salas de bate-papo, comentários na mídia convencional, na imprensa alternativa – todos dando crédito ao suposto “patriota” que estaria por trás dos assassinatos.

Eu certamente já vira esse tipo de fenômeno. O próprio Kyle Craig tinha legiões de fãs, ou discípulos, como gostava de chamá-los. Mas Patel estava certa. Isso parecia ser outra coisa – todo um movimento subterrâneo de pessoas que viam nada menos do que os Estados Unidos em risco e que acreditavam que apenas altas doses de violência poderiam resolver o problema.

– Existe modo melhor de atrair os malucos? – perguntou ela por cima do meu ombro. – Embrulhe seu dogma na bandeira americana e espere para ver quem morde a isca. Como eu disse: é assustador.