Fogo Cruzado

James Patterson · Capítulo 32 de 129

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Fogo Cruzado

capítulo 28

 

A SEXTA-FEIRA DEPOIS DA MORTE de Dlouhy foi um dia fresco de primavera, daqueles em que dá para sentir o verão chegando no vento mas os agasalhos ainda não podem ser guardados de volta no armário.

Kyle abotoou seu blazer enquanto entrava na Avenida Mississippi e caminhava em direção ao norte, misturando-se à multidão. Sua peruca, a maquiagem e as lentes de contato eram totalmente eficazes, ainda que básicas. Desde que tinha feito a cirurgia no rosto, qualquer coisa mais simples do que o procedimento era considerada por ele abaixo de seu padrão – a não ser que fosse absolutamente necessária.

Do mesmo modo, essa região arruinada não era um local que ele escolheria para passar uma bela tarde de primavera. Era o tipo de lugar que mantinha viva a culpa dos brancos liberais, mas não o suficiente para motivar alguém a fazer alguma coisa a respeito.

Nada disso preocupava ou incomodava Kyle nesse momento.

Foi andando devagar pela rua, fazendo questão de chegar ao Centro Comunitário Sudeste um pouco antes das quatro e meia. O que diziam era que eles estavam dando ingressos para um disputado jogo de basquete junto com os folhetos da última campanha contra o uso de drogas para a garotada. Até mesmo alguns dos jovens mais barras-pesadas haviam aparecido e um grupo deles saiu correndo pela porta dupla de vidro no momento em que Kyle se aproximava do prédio atarracado, de tijolos vermelhos.

Um garoto em particular atraiu seu interesse. Ele se desviou dos degraus da frente e pulou de um muro baixo, depois parou para desembrulhar uma barra de chocolate antes de continuar andando pela rua.

Kyle seguiu-o, mantendo-se perto o suficiente para que sua presença fosse percebida pelo garoto, porém tomando cuidado para não se aproximar muito até que estivessem em um local onde não poderiam ser ouvidos.

Um quarteirão e meio depois o garoto parou e se virou bruscamente. Ainda estava mastigando e falou com a boca cheia de chocolate:

– Cara, que porra é essa de ficar andando atrás de mim?

Era uma criança, mas não havia nenhum vestígio de medo em seus olhos castanhos. Seu riso de desprezo era uma cópia perfeita de todos os outros projetos de gângster que zanzavam por aquelas ruas miseráveis para ganhar a vida.

O garoto levantou a bainha de sua camiseta branca grande demais para o seu tamanho e mostrou o cabo enrolado em couro preto de uma faca que provavelmente descia até a metade da sua perna magricela.

– Vai falar alguma coisa, vagabundo ? – perguntou ele.

Kyle sorriu em aprovação.

– Seu nome é Bronson, não é? Ou você prefere Pop-Pop?

– Quem quer saber? – Os instintos do garoto eram bons, mas ele era idiota o suficiente para cair em sua conversa. Bronson puxou a faca um pouco mais para fora, a fim de mostrar um pouco do aço.

Kyle se virou de costas para a rua e abriu seu blazer. Dentro havia uma pistola Beretta compacta, num coldre em sua cintura. Ele tirou-a e segurou-a pelo cano, com o cabo na direção do garoto.

As pupilas do pequeno Bronson se dilataram – não de medo, e sim com súbito interesse.

– Se estiver a fim, tenho um serviço legal para você, rapazinho. Quer ganhar 500 dólares?