Fogo Cruzado

James Patterson · Capítulo 70 de 129

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Fogo Cruzado

capítulo 66

 

UMA COISA DE CADA VEZ. Primeiro ele destrancou a porta do porão e desceu a escada estreita até a oficina com paredes de blocos de concreto embaixo da casa. Não era o velho escritório de seu pai, com lambris de nogueira, a lareira de 3,5 metros e escadas deslizantes, mas daria para o gasto e serviria muito bem. Uma grande porta tipo alçapão, nos fundos, lhe permitira trazer um novo freezer horizontal outro dia, e ele se encaminhou para lá.

A agente Patel estava dormindo pacificamente dentro dele. Ainda aparentava ser a mesma pessoa, mas tinha ficado bastante rígida, o que parecia muito adequado. Quando viva ela costumava ser assim também.

– Pronta para uma mudança de cenário, querida?

Tirou-a lá de dentro e colocou-a num pedaço de plástico com quase meio centímetro de espessura, para que o corpo descongelasse enquanto ele cuidava das outras coisas. Isso o fez lembrar-se de sua mãe não muito querida mas bastante falecida, Miriam: o modo como ela costumava deixar uma bandeja de costeletas de porco ou um contrafilé congelados na bancada da cozinha de manhã, para que estivessem em condições de ser preparados para o jantar daquela noite. Não podia dizer que a velha nunca havia lhe ensinado algo útil.

Em seguida dedicou-se às paredes. Dezenas de fotos novas estavam grudadas ao lado das antigas, resultado de vários dias exaustivos de vigilância intensiva dos movimentos de Cross. Não tinha sido a parte mais estimulante do processo até agora, mas com certeza dera resultado.

Ali estavam Alex Cross e John Sampson trabalhando no local daquele caso novo, maravilhosamente confuso, da Franklin Square.

E aqui estava Alex com seu filho Ali e a mãe, Christine, que parecia ter adicionado bastante dramaticidade à situação.

Tudo foi retirado agora – cada foto, cada mapa, cada recorte que ele havia coletado desde sua chegada a Washington. Nada daquilo era mais necessário. Ele havia memorizado tudo. Além disso, agora era hora de parar de pensar nos detalhes e começar a agir de verdade!

Algum tempo antes, Kyle sabia, ele desejaria – não, ele precisaria – ter cada pormenor mapeado. Mas isso fazia parte do passado. Agora suas opções simplesmente pairavam à sua frente, como frutas esperando para serem colhidas.

Talvez o último capítulo fosse mais ou menos assim: Alex acorda no piso do banheiro, com a faca ainda na mão. Levanta-se, desorientado, vai tropeçando até o quarto e encontra Bree estripada na cama dos dois. Quando corre para ver os filhos, eles estão na mesma situação. A avó também. Alex não consegue se lembrar de nada, nem de como chegou em casa naquela noite. Após um salto temporal de um ou dois anos, ele está aprendendo tudo sobre o inferno que é a penitenciária de segurança máxima, apodrecendo em sua própria inocência enquanto as paredes se apertam ao seu redor, um pouco mais a cada dia.

Ou não.

Talvez ele apagasse Alex em definitivo, de uma vez por todas. A boa e velha tortura com assassinato, para não mencionar a oportunidade de ver de fato a morte de Cross, também tinha um grande apelo.

Nesse meio-tempo, não havia pressa para decidir qual seria a melhor opção. Por enquanto, seu único serviço era respirar o ar de Max Siegel, ficar aberto às possibilidades e se concentrar no que estava bem à sua frente.

E, nesse momento, era a agente Patel.

Quando voltou para verificar, ela estava começando a amolecer nas extremidades. Muito bem. Quando o corpo começasse a exalar algum odor, ele se livraria dela.

– Foi divertido enquanto durou, colega – disse, inclinando-se para lhe dar um casto beijo de adeus nos lábios. Depois enrolou a convidada prestes a partir num saco branco para cadáveres e fechou o zíper para transportá-la.