Fogo Cruzado
capítulo 114
KYLE GIROU O PUNHO E ME acertou bem no queixo. Um choque atravessou minha cabeça, mas eu não podia golpear de volta porque estava com uma das mãos em seu pulso e a outra na arma que ele segurava.
Em vez disso, dei-lhe uma forte cabeçada no lugar onde ele já tinha sido ferido pela jarra. Isso bastou para que soltasse a arma. Uma Beretta 9mm. A arma de Max Siegel.
Arrastei-me para trás no piso, mirando entre seus olhos, que ele esfregava furiosamente para tentar enxergar.
– Vire-se! – falei, levantando-me. – Rosto no chão, mãos longe do corpo!
Kyle sorriu. Seus olhos estavam vermelhos, com lágrimas escorrendo, mas eu sabia que ele podia me ver de novo.
– Isso não é irônico? – perguntou ele. – Eu poderia jurar que você estava mentindo naquela noite no carro, mas você realmente não consegue apertar esse gatilho, não é?
– Não sem um motivo. Portanto, me dê um motivo ou vire-se para baixo e beije o chão. Agora! Obedeça!
– Você sabe que eu não costumo dizer isso, Cross, mas vá se foder.
De repente ele rolou, depressa demais, e um caco de vidro que estava em sua mão atravessou o espaço entre nós. Senti o músculo da minha panturrilha se rasgar. Meu joelho se dobrou. Eu já estava a meio caminho do chão antes de saber o que havia acontecido.
E Kyle estava de pé.
Ele cambaleou para fora do quarto e isso provavelmente salvou sua vida. O único tiro que consegui dar despedaçou a porta deslizante em vez de sua cabeça, logo antes de ele pular no terraço e desaparecer.