Fogo Cruzado

James Patterson · Capítulo 60 de 129

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Fogo Cruzado

Parte Três

MULTIPLICIDADE

capítulo 56

 

SAMPSON SABIA QUE EM GERAL eu acordava às cinco da manhã, ou mesmo antes, mas hoje isso não teria feito diferença. Pelos sons da rua ao fundo e a tensão em sua voz dava para ver que ele já estava trabalhando.

– Preciso de um favor, Alex. Dos grandes.

Instintivamente comecei a comer os ovos um pouco mais depressa enquanto Nana me olhava com uma cara de preocupação. Na nossa casa, quando o telefone toca muito cedo ou muito tarde, nunca é boa coisa.

– Pode falar – disse eu. – Estou ouvindo. Nana está aqui na minha frente. Não sei se o olhar raivoso dela é para você, para mim ou para nós dois.

– Ah, é para vocês dois – respondeu Nana numa voz baixa que mais parecia um rosnado.

– Tivemos um homicídio na Franklin Square. Um desconhecido. Parece muito com aquele caso esquisito que eu tive antes, lá em Washington Circle.

Meu garfo parou no ar.

– Com os números?

– Esse mesmo. Existe alguma chance de você dar um pulo aqui para uma consulta antes que as coisas esquentem demais?

– Estou a caminho.

John e eu não temos um registro de quantos favores um deve ao outro. Nossa regra não verbal é: se você precisar de mim, estarei lá. Mas tenha certeza de que precisa de mim.

Alguns minutos depois eu estava dando o nó na gravata enquanto descia a escada dos fundos a caminho da garagem. O dia ainda não havia nascido por completo, mas estava claro o suficiente para mostrar uma massa de cor cinza no alto – nublado, com possibilidade de uma tempestade de merda.

Baseado no que eu me lembrava do caso anterior de Sampson, esse era exatamente o tipo de acontecimento que a Polícia Metropolitana não podia se dar ao luxo de investigar nesse momento.

Meses antes, um jovem fora espancado até a morte, e quando seu corpo foi encontrado havia uma série de números entalhados com esmero em sua testa. Era provável que o crime tivesse sido manchete em todos os jornais da região – se o coitado não fosse um viciado sem-teto. Mesmo no departamento o caso não gerou muita comoção, o que não era lá muito justo, mas se preocupar com o que era “justo” na nossa capital poderia nos levar à loucura.

Agora havia acontecido de novo e a situação tinha mudado totalmente de figura. Com o caso do atirador de elite fervendo, os chefões da Polícia Metropolitana estariam ocupados demais para gastar energia com qualquer outra coisa. Iriam querer jogar o caso para a Divisão de Casos Especiais antes que a manhã terminasse.

Achei que era por isso que John havia ligado. Se o caso fosse transferido para a minha unidade, eu poderia dizer que já estava atuando nele como consultor, pediria para assumi-lo e então colocaria Sampson de volta no comando. Era nossa forma criativa de lidar com as regras e essa não seria a primeira vez.