Fogo Cruzado
capítulo 54
ERA QUASE MEIA-NOITE quando a agente Anjali Patel chegou à calçada da Rua E na frente do Edifício Hoover, esticando o pescoço e procurando um táxi. Assim que a viu, Max Siegel virou a esquina e baixou a janela do lado do carona.
– Alguém chamou um táxi?
Ela ofereceu-lhe uma bela visão de seu decote enquanto se abaixava para ver quem era.
– Max? O que está fazendo aqui tão tarde?
– Desculpe por hoje – disse ele. – Tive que sair às pressas. Voltei agora para pegar o carro. Posso lhe dar uma carona e você me atualiza, que tal?
O olhar dela ao longo da rua disse tudo. Não havia um táxi à vista, nem muito movimento.
Os colegas de trabalho de Max Siegel pareciam querer distância dele, o que seguia exatamente o plano. Isso lhe dava a privacidade necessária e ele sempre podia voltar atrás se quisesse. Como agora.
– Entre – disse. – Eu não mordo. Nem vou falar do Cross pelas costas dele. Prometo.
– Hum... está bem. – Ela deu um sorriso automático e entrou.
Seu perfume era de limão, notou ele. Ou talvez fosse o xampu. Era bom, de qualquer modo. Feminino. Ela lhe deu um endereço em Shaw.
Em seguida começou a falar sem parar sobre o caso, certificando-se de não deixar qualquer silêncio constrangedor pairar entre eles.
Siegel dirigia rápido, ultrapassando os sinais amarelos quando podia. A última mulher com quem havia estado tinha sido a corretora de imóveis, e estava começando a ter uma ereção só de pensar nela.
Quando virou no quarteirão de Patel, pisou no acelerador de novo e em seguida parou na frente de uma loja escura logo depois do pequeno prédio de tijolos amarelos.
– Ei, era ali – disse ela, olhando para trás. – Você passou.