Fogo Cruzado
capítulo 87
O DEPARTAMENTO DE ANÁLISE de Digitais estava silencioso quando entrei. A única pessoa no laboratório era um dos funcionários civis, um analista chamado Bernie Stringer, que atendia pelo apelido de “Strings”. Eu podia ouvir o heavy metal berrando em seu iPod enquanto ele trabalhava.
– Espero que não seja urgente! – gritou ele, tirando um dos fones. – O pessoal da Narcóticos já está pegando no meu pé. – Havia duas caixas cheias de slides na bancada junto dele.
– Só preciso tirar umas digitais disto – respondi, segurando a lata de Coca pela borda.
– Hoje?
– É. Na verdade, agora.
– Pode ficar à vontade, cara. O cianoacrilato está na gaveta perto da câmara de vapor.
Por mim, tudo bem. Gosto de trabalhar no laboratório de vez em quando. Faz com que eu me sinta mais inteligente, ainda que recolher digitais seja o básico do básico da perícia.
Fui até a câmara de vapor e coloquei a lata lá dentro, de cabeça para baixo. Depois pinguei num prato algumas gotas de cianoacrilato, que na verdade não passa de uma cola superpotente, e lacrei tudo para esquentar durante um tempo.
Em cerca de 15 minutos eu tinha um belo conjunto de quatro digitais na superfície da lata. A digital gigante de Sampson também estava ali, mas era bem fácil diferenciá-la, pelo tamanho.
Borrifei o pó preto nas que eu queria e tirei algumas fotos, só para garantir.
Depois disso foi só retirá-las com fita adesiva transparente e colocá-las num cartão para serem escaneadas.
– Ei, Strings! – gritei. – Posso usar o seu sistema?
– Vá em frente! A senha é B-U-N-D-A-G-R-A-N-D-E.
– Não diga.
– Hein? O quê?
– Nada.
Assim que joguei as digitais no computador, o sistema levou cerca de meia hora para cuspir quatro possibilidades de correspondência. Muitas vezes a comparação final é feita a olho, o que é bom. Ajuda a manter o fator humano no processo.
E não demorei muito para confirmar uma das quatro.
O padrão em arco no indicador do nosso cara era bem característico, mesmo para aqueles pequenos quebra-cabeças.
Depois de apertar algumas teclas, eu tinha seu nome e sua ficha bem ali, à minha frente.
Stanislaw Wajda.
Isso explicava o sotaque. Ele só fora preso uma vez, acusado de agressão doméstica em College Park, Maryland, um ano e meio antes. Não parecia muito para ir em frente.
Mas, na verdade, eu havia acabado de tropeçar num assassino.