Fogo Cruzado
capítulo 2
AINDA ESTAVAM RINDO QUANDO chegaram ao Suburban velho de Denny, parado no Estacionamento 9, perto da Biblioteca Lauinger, no campus de Georgetown.
– Aquilo foi irado! – O rosto flácido de Mitch brilhava de suor, mas ele não estava nem um pouco sem fôlego. Era do tipo cujos músculos se pareciam muito com gordura. – O que você vai fazer? – zombou. – Atirar num veterano sem-teto no meio do trânsito?
– True Press, 1 dólar – disse Denny. – Almoço no Taco Bell, 3 dólares. A cara do tira quando percebe que você venceu? Não tem preço. Queria ter batido uma foto.
Tirou um envelope laranja de baixo do limpador de para-brisa e acomodou-se no banco do motorista. O carro ainda fedia aos cigarros que ele fumara um atrás do outro e aos burritos que comera na noite anterior. Travesseiros e cobertores estavam embolados no banco de trás, perto de uma sacola de compras cheia de latas.
Atrás deles, sob uma pilha desmoronada de caixas de papelão, alguns restos de tapete velho e um fundo falso de compensado, havia duas pistolas Walther PPS 9mm, um M21 semiautomático e um fuzil de atirador de elite M110 de uso restrito das Forças Armadas. E também uma mira telescópica térmica de longo alcance, uma luneta, um kit de limpeza para os fuzis e várias caixas de munição, tudo enrolado numa grande lona de plástico presa com várias cordas elásticas.
– Você mandou bem lá, Mitchie – disse Denny. – Muito bem. Não perdeu a calma nem um segundo.
– Isso – respondeu Mitch, esvaziando os bolsos na bandeja plástica de lanchonete que estava entre os dois. – Não vou perder a calma, Denny. Eu sempre fico frio que nem... como é que se diz, mesmo? Que nem um picolé.
Denny contou a féria do dia. Quarenta e cinco dólares – nada mau para um turno curto. Deu a Mitch 10 notas de 1 dólar e um punhado de moedas de 25 centavos.
– E aí, o que você acha, Denny? Estou pronto ou não? Acho que sim.
Denny se recostou no banco e acendeu uma guimba que estava no cinzeiro. Entregou-a a Mitch e acendeu outra. Em seguida, pôs fogo no envelope laranja que tinha a multa de estacionamento e largou-o aceso no chão do lado de fora.
– É, Mitch, acho que você talvez esteja pronto. A questão é: eles estão prontos para nós?
Os joelhos de Mitch começaram a pular como uma britadeira.
– Quando a gente começa? Hoje à noite? Que tal hoje à noite? Que tal, hein, Denny?
Denny deu de ombros e se reclinou.
– Aproveite a paz e o silêncio enquanto pode, porque logo, logo você vai ser famoso pra cacete. – Ele soltou um círculo de fumaça, depois outro, que passou bem no meio do primeiro. – Está preparado para ser famoso?
Mitch estava olhando pela janela para duas estudantes bonitas, de saia curta, que atravessavam o estacionamento. Seus joelhos ainda estavam balançando.
– Estou pronto para começar, é isso aí.
– Muito bem, garoto. E qual é a missão, Mitchie?
– Limpar essa bagunça de Washington, como os políticos sempre dizem.
– Isso mesmo. Eles ficam falando...
– Mas a gente vai fazer alguma coisa. É isso aí. É isso aí.
Denny levantou a mão para que Mitch batesse nela, depois ligou o carro. Deu ré pelo caminho mais longo, para dar uma boa olhada nas garotas por trás.
– E aí, onde você quer comer? A gente tem uma grana para torrar hoje.
– No Taco Bell, cara – respondeu Mitch sem nem precisar pensar.
Denny empurrou a alavanca de câmbio com força e partiu.
– Por que não estou surpreso?