Fogo Cruzado

James Patterson · Capítulo 56 de 129

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Fogo Cruzado

capítulo 52

 

POR VOLTA DAS SETE E MEIA Patel e eu finalmente nos levantamos para ir embora. Mas, quando estávamos saindo, ela deu as costas para a porta e se virou na minha direção. A expressão que surgiu em seus olhos era inconfundível – e assustadora de um modo totalmente diferente do que estávamos falando.

– Você já comeu comida indiana feita em casa? – perguntou ela.

Eu não queria parecer presunçoso.

– Feita em casa? Nunca.

– Porque eu sou uma ótima cozinheira, apesar das aparências. – Ela fez um gesto em direção a sua calça cinza e sua blusa branca. – Acho que todo mundo aqui imagina que eu não passo de uma CDF que toda noite vai para casa ficar com os sete gatos e comer comida congelada.

– Duvido – respondi. Patel sempre havia me parecido um clássico diamante bruto. Era o tipo de mulher que chegava à confraternização de fim de ano do trabalho toda arrumada e deixava todos de queixo caído.

– Bom, meu carro está na oficina – continuou ela. – Eu estava pensando que, se você pagar o táxi, eu posso retribuir com o jantar. – Então ela realmente me abalou. Estendeu a mão e a pôs em cima da minha. – Talvez até com a sobremesa. O que acha?

– Acho que você é cheia de surpresas – respondi, e nós dois rimos, um tanto nervosos. – Escute, Anjali...

– Ah, meu Deus. – Ela recolheu a mão. – Começar uma frase com “Escute” nunca é um bom sinal.

– Eu sou comprometido. Nós vamos nos casar.

Ela assentiu e começou a juntar suas coisas.

– Sabe o que dizem sobre todos os homens que valem a pena, não é? Ou têm dona ou são gays. Inclusive esse vai ser o título do meu livro de memórias. Acha que vai vender?

Desta vez rimos de verdade. Isso cortou a tensão, o que foi bom para nós dois.

– Agradeço o convite – continuei, e estava falando sério. Se fosse em outro momento na minha vida, eu definitivamente jantaria comida indiana naquela noite. Talvez comesse a sobremesa também. – Ainda posso dar aquela carona, se você quiser.

– Não precisa se incomodar. – Ela enfiou o laptop embaixo do braço e segurou a porta aberta para mim. – Se não vou cozinhar, prefiro ficar por aqui e trabalhar mais um pouco. E se você puder esquecer que tivemos esta conversa...

– Que conversa? – Ofereci-lhe minha melhor expressão de surpresa quando estava saindo. – Não me lembro de nada.