Fogo Cruzado

James Patterson · Capítulo 110 de 129

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Fogo Cruzado

capítulo 106

 

HENNESSEY HAVIA FEITO um ótimo trabalho mudando sua aparência – óculos, cabelo escuro, barba benfeita. Isso bastava para que ele pudesse circular pela cidade.

E provavelmente era o suficiente para ir embora dali sem ser reconhecido, também, conforme percebi. Tudo estava começando a se encaixar.

– Hennessey?

– Depende de quem quer saber – respondeu ele.

– Foi você mesmo que deu aquela dica anônima ao FBI, não foi?

Eu tinha certeza de que aquilo tudo tinha sido uma armadilha e nós havíamos feito exatamente o que ele queria: uma ação discreta de vigilância por parte das pessoas que tinham mais conhecimento sobre ele. Eu ainda não sabia se ele tentara nos matar no carro ou nos atrair mais para perto.

– E olhe o que eu consegui – disse ele. – Agora quero que você estique a mão para trás lentamente e jogue essa Glock lá embaixo.

Balancei a cabeça.

– Vou jogar ali. Não posso largar essa coisa na rua.

– Claro que pode. – A ponta de sua arma estava fria quando ele a pressionou contra minha testa. Devia ter usado um equipamento maior alguns minutos atrás.

Estiquei a mão para trás e deixei a Glock cair. Quando ela bateu no concreto lá embaixo meu estômago se contraiu.

Então ele recuou um passo, ficando fora do alcance do meu braço.

– Para dizer a verdade, eu só queria você morto e fora do caminho. Mas, agora que está aqui, vou lhe dar 30 segundos para contar o que sabe sobre mim. E não estou falando do que já saiu nos jornais.

– É, imagino que não. Você quer saber até que ponto precisa ir antes de desaparecer de novo.

– Vinte segundos. Posso até deixar você vivo. Comece a falar.

– Você é Steven Hennessey, também conhecido como Frances Moulton ou Denny Humboldt. Esteve nas Forças Especiais do Exército Americano até 2002, mais recentemente no Afeganistão. Existe uma sepultura em Kentucky com o seu nome e imagino que desde então você esteja trabalhando por conta própria, fora de circulação.

– E o FBI? Onde mais eles estão procurando por mim?

– Em todos os lugares.

Ele ajustou a mira e firmou os cotovelos.

– Também sei quem você é, Cross. Você mora na Rua 5. Não há nada que me impeça de dar uma passada lá hoje. Entendeu?

Senti um jorro de raiva.

– Não estou enganando você. Nós não estávamos em nenhuma grande ação aqui. Por que acha que não temos uma equipe inteira lá embaixo?

– Não têm por enquanto – disse ele. As sirenes realmente estavam chegando cada vez mais perto. – O que mais? Você ainda está vivo. Continue falando.

– Você matou seu parceiro, Mitch.

– Não é isso que estou perguntando. Me dê alguma informação que eu possa usar. É sua única chance, caso contrário você não vai ser o único Cross a morrer hoje.

– Pelo amor de Deus, se soubesse alguma coisa, eu diria!

A primeira radiopatrulha chegou berrando à rua lá embaixo.

– Parece que o nosso tempo acabou.

Uma arma disparou – e eu me encolhi antes de perceber que não tinha sido a de Hennessey. Seus olhos se arregalaram. Uma linha de sangue rolou para o seu lábio superior e ele desmoronou à minha frente, como se fosse uma marionete e alguém tivesse acabado de soltar seus fios.

– Alex?

Olhei à direita. Max Siegel estava parado no telhado do prédio ao lado, iluminado por trás por um pequeno facho de luz que vinha do poço da escada. Sua Beretta ainda estava levantada e apontando na minha direção, mas ele a abaixou quando me virei para ele.

– Você está bem? – gritou Siegel.

Pisei no pulso de Hennessey e tirei a Walther de sua mão. Não havia pulsação no pescoço e seus olhos pareciam vazios. Ele estava morto. Max Siegel o havia matado e salvado minha vida.

Quando me levantei, a rua estava se enchendo depressa. Além das sirenes, dava para ouvir portas batendo e os guinchos dos rádios da polícia. O quarteirão estava isolado, mas eu ainda precisava encontrar minha Glock.

Siegel parecia estar me encarando enquanto eu me dirigia à porta. Eu lhe devia um agradecimento, para dizer o mínimo, porém o barulho da rua teria engolido minhas palavras, por isso me limitei, por enquanto, a levantar o polegar em sinal de que estava tudo bem.

Tudo bem.