Fogo Cruzado

James Patterson · Capítulo 36 de 129

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Fogo Cruzado

capítulo 32

 

OS FEDERAIS NÃO SABIAM DE NADA. A Polícia Metropolitana também não. Tudo o que qualquer um sabia era que Washington estava se tornando um lugar muito quente e apavorante para se viver.

Denny engolia as manchetes: primeira página todas as manhãs, a matéria principal todos os dias às cinco, às seis e às onze. Ele e Mitch vendiam seus jornais à tarde, depois viam o noticiário da noite na vitrine de alguma loja ou, se tivessem uns trocados extras, num dos bares que não se incomodavam em ter dois sujeitos esfarrapados como eles sentados junto ao balcão.

Era sempre a mesma história: matador desconhecido, impressão digital fantasma e armas de altíssimo nível. Alguns canais espalhavam boatos sobre um Buick Skylark com placa de Nova York e um Suburban supostamente azul-escuro ou preto e enferrujado – o que poderia deixar Danny muito mais preocupado se o seu Suburban não fosse branco. Nos últimos tempos até as testemunhas oculares estavam pirando, como todo o restante do país.

Quanto a Mitch, ele gostava bastante do estardalhaço, mas à medida que os dias passavam pareceu ficar um pouco mais desligado, um pouco menos dedicado. Denny não tinha dúvidas: aquelas “missões” eram o que mantinha Mitch focado. Nada mais funcionava com ele.

Assim, no sétimo dia sem ação, Denny disse a Mitch que era hora de agir de novo.

Estavam indo de carro pela Connecticut, para longe do Dupont Circle na hora do rush, o que acabou sendo perfeito. Quanto mais tempo demorassem passando em frente ao hotel Mayflower, mais poderiam observar nessa primeira olhada.

– É esse o lugar? – perguntou Mitch, olhando do banco do carona.

– Vamos fazer um reconhecimento completo hoje – respondeu Denny. – Amanhã à noite vamos agir.

– Com que tipo de sacana vamos acabar desta vez, Denny?

– Já ouviu falar da Agro-Corel?

– Não.

– Você come milho? Ou batata? Ou bebe água engarrafada? Eles estavam metidos em tudo, cara, um grande conglomerado, e o nosso cara está sentado no topo da pirâmide.

– O que ele fez?

Mitch continuava catando migalhas de tacos do colo e comendo-as, mas Denny sabia que ele também estava escutando, mesmo que não processasse parte das informações.

– O cara mentiu para a empresa. Mentiu para os federais também. Mandou o lugar inteiro pelo ralo e fugiu com sua malinha de centenas de milhões de dólares enquanto todo mundo caía pelo buraco: sem aposentadoria, sem emprego, sem nada. Você sabe como isso é, não sabe, Mitchie? Fazer tudo o que é certo e mesmo assim ficar na mão enquanto o cara ganha cada vez mais?

– Por que o sujeito não está na cadeia, Denny?

Ele deu de ombros.

– Quanto custa um juiz?

Mitch olhou pelo para-brisa, sem dizer nada. O sinal abriu para os carros e os veículos avançaram de novo.

Por fim, ele disse:

– Vou colocar uma bala no tronco cerebral dele, Denny.