Fogo Cruzado

James Patterson · Capítulo 86 de 129

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Fogo Cruzado

capítulo 82

 

DEPOIS DE UM LONGO DIA percorrendo abrigos e centros de distribuição de sopa para sem-teto, eu não tinha avançado nada em relação àquela manhã. Pelo que sabia, Talley e Hennessey ainda podiam estar em Nova Jersey. Ou ter ido para o Canadá. Ou ter virado fumaça.

Mas quando voltei ao escritório para pegar algumas pastas e levar para casa, Jerome Thurman me alcançou no elevador com uma novidade.

– Alex! Está saindo?

– Estava.

– Talvez não mais.

Ele me estendeu uma folha impressa.

– Acho que podemos ter conseguido alguma coisa aqui. Pode ser boa.

Em geral, Jerome trabalha no Primeiro Distrito, mas eu havia conseguido um espaço para ele na Unidade de Roubo de Automóveis, no fim do corredor, onde ele poderia monitorar pistas sobre veículos para mim. E, quando digo “espaço”, quero dizer uma pilha de caixotes na sala de arquivos nas quais ele podia apoiar o laptop, mas Jerome nunca foi de reclamar.

O que ele estava segurando era uma lista de números de placas de um banco de dados do Centro Nacional de Informações Criminais. Um deles estava circulado com tinta azul.

NJ – DCY 488.

– É um Lexus ES, supostamente roubado de um complexo de apartamentos em Colliers Mills, Nova Jersey – disse ele. – Isso fica a no máximo 5 quilômetros de onde o seu Suburban branco foi desovado.

Arrisquei um meio sorriso.

– Diga que há mais, Jerome. Há mais, não é?

– Na verdade, há a melhor parte. Uma câmera do Departamento de Trânsito registrou um veículo com a mesma placa entrando num estacionamento mensal no Aeroporto Nacional, às 4h45 da madrugada de sábado.

Esse tipo de câmera usa um software de escaneamento ótico para ler os números das placas dos carros que passam e depois os compara com listas de veículos procurados e roubados. É uma tecnologia incrível, ainda que nem todos seus problemas já tenham sido resolvidos.

– Há algum motivo para só estarmos sabendo disso agora? – perguntei. – Foi há bem mais de 48 horas. Qual foi o problema?

– O sistema do aeroporto não é em tempo real – respondeu Jerome. – É feita uma captura de dados manual uma vez por dia, de segunda a sexta. Só recebi isso há alguns minutos. Mas o importante, Alex, é que acho que os seus passarinhos voltaram para o ninho.

– É, acho que você tem razão – respondi, retornando à minha sala.

Contudo, antes mesmo de chegar à mesa, minha empolgação começou a se transformar em outra coisa. Essa era, na melhor das hipóteses, uma faca de dois gumes. Considerando a procura intensa a Talley e Hennessey, eu não podia imaginar muitos motivos para eles voltarem a Washington. Havia chances de que, se não encontrássemos pelo menos um deles logo, outra raposa no galinheiro recebesse uma bala no cérebro.

Nada mais útil do que uma pressãozinha para ajudar a gente a trabalhar melhor, não é?