Fogo Cruzado

James Patterson · Capítulo 17 de 129

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Fogo Cruzado

capítulo 13

 

COMO MUITOS QUE FAZEM parte da irmandade dos homens da lei, o agente do FBI Steven Malinowski era divorciado. Morava sozinho – a não ser quando as duas filhas o visitavam, semana sim, semana não, e durante um mês no verão – num ranchozinho decente por fora e meio patético por dentro, em Hyattsville, Maryland.

Por isso não havia muita motivação para ir para casa e ele só chegou à entrada de veículos pouco depois das onze e meia daquela noite. Tinha tomado pelo menos algumas cervejas, além de uma ou duas doses de bebida destilada, mas não estava bêbado. Tinha sido mais um pilequinho com a turma.

– Ei, Malinowski – disse uma voz quando ele desceu do Range Rover.

Todo o corpo do agente se contraiu e ele estendeu a mão para o coldre embaixo do paletó.

– Não atire. Sou eu. – Kyle deu a volta pela frente da garagem, passando embaixo da luz do poste de rua por tempo suficiente apenas para um vislumbre de seu rosto. – É o Max Siegel, Steve.

Malinowski franziu os olhos para ele, no escuro.

– Siegel? Pelo amor de Deus, o que... – Deixou a aba do paletó se fechar de novo. – Você quase me fez ter uma porra de um ataque cardíaco. Que diabos está fazendo aqui? E que horas são, afinal?

– Podemos conversar lá dentro? – perguntou Kyle. Devia fazer três anos que Malinowski e Siegel não se falavam. A voz precisava ser boa, mas não perfeita. – Vou dar a volta pelos fundos, certo? Deixe-me entrar.

Malinowski olhou para um lado e para o outro da rua.

– Está bem, está bem. Claro. – Quando Siegel passou pela porta deslizante de vidro da cozinha, o dono da casa havia apagado as luzes da frente e fechado todas as cortinas. Só havia a luz de cima do fogão.

Malinowski guardou sua arma numa gaveta e tirou duas cervejas da geladeira. Ofereceu uma a Max.

– Vamos lá, Siegel. O que está acontecendo? O que está fazendo aqui a esta hora?

Kyle recusou a cerveja. Não queria tocar em nada que não precisasse.

– A operação vazou completamente – disse. – Não sei como, mas eles me descobriram. Não tive escolha a não ser vir para cá.

– Você está péssimo, por sinal. Esses hematomas em volta dos olhos...

– Você deveria ter me visto há uma semana. Dois caras do Arturo Buenez me deram um trato bonito. – Kyle deu um tapinha na mochila verde-oliva às costas. Dentro estavam a arma de choque com a solução salina e o reservatório de água, enrolados num cobertor grosso. – Só consegui sair com isto.

– Por que não mandou o sinal? – perguntou Malinowski, e essa foi a única coisa que Kyle não fora capaz de descobrir: como Max Siegel deveria fazer contato com seu controlador em caso de emergência.

– Tive sorte de ao menos conseguir fugir – respondeu ele. – Fiquei na moita na Flórida, até que pude vir para cá. Fort Myers, Vero Beach, Jacksonville.

Talvez fosse a cerveja, mas Malinowski não pareceu notar que Kyle não havia realmente respondido à pergunta. Como poderia? Ele não sabia a resposta.

– Então, com quem mais eu deveria falar? – perguntou Kyle.

O agente balançou a cabeça.

– Com ninguém.

– Com a Força Administrativa de Narcóticos? Com alguém de Washington?

– Não há ninguém, Siegel. Você estava lá por conta própria. – Ele ergueu os olhos de repente. – Como você não sabe disso?

– Dá um tempo, cara. Estou na pior. Olhe para mim. – Kyle deu um passo mais para perto de Malinowski, que estava encostado no fogão. – Sério, olhe para mim. O que está vendo?

Malinowski sorriu com compaixão.

– Você precisa mesmo descansar, Max. É bom que esteja aqui.

O cara não fazia a mínima ideia, não era? Aquilo era divertido demais para parar.

– Eu vi o Kyle Craig, Steve.

– O quê? Espere aí... o Kyle Craig?

Kyle abriu os braços e sorriu.

– O Kyle Craig. Em carne e osso.

– Não estou entendendo. Como isso se encaixa no...?

Era como ver os pontos se ligando na mente de Malinowski. E justo quando parecia que ele ia entender, Kyle agiu. Sua Beretta estava na mão pressionando o queixo de Malinowski antes mesmo que o sujeito percebesse o que estava acontecendo.

– É incrível o que se pode fazer com cirurgia plástica hoje em dia – disse.

A cerveja inacabada de Malinowski se espatifou no chão.

– Do que você está falando? Isso é... impossível!

– Tenho 99,99 por cento de certeza de que não é – rebateu Kyle. – A não ser que eu esteja imaginando tudo isto. Considere uma honra, Steve. Você é o primeiro e último a saber qual é a minha aparência. Está honrado? – Malinowski não se mexeu, por isso Kyle apertou a Beretta com mais força no rosto dele. – Está?

Agora ele assentiu.

– Diga, por favor.

– Estou... honrado.

– Muito bem. Agora o que vai acontecer é o seguinte: vamos para os fundos da casa e você vai entrar naquela banheira imunda que você nunca limpa. – Kyle bateu na mochila de lona de novo. – Depois eu vou desfazer a mala e nós vamos conversar mais um pouco. Preciso saber umas coisas sobre Max Siegel.