Fogo Cruzado

James Patterson · Capítulo 71 de 129

Páginas do PDF

Fogo Cruzado

capítulo 67

 

OUTRO INÍCIO DE MANHÃ e outro telefonema de Sampson. Desta vez eu ainda nem havia saído da cama.

– Escute, benzinho, sei que você teve uma noite infernal lá naquela via expressa, mas achei que gostaria de saber. Encontramos outro corpo no caso dos números.

– Momento perfeito – respondi, ainda deitado de costas com o braço de Bree jogado em cima do meu peito.

– É, acho que ninguém está recebendo os meus memorandos sobre isso. Escute, eu posso cobrir o crime se você precisar de uma folga.

– Onde você está?

– No terminal rodoviário atrás da Union Station. Mas, sério, você parece estar com uma ressaca horrorosa, Alex. Por que não fica aí e esquece que eu liguei?

– Não. – Cada parte de mim queria ficar grudada àquele colchão, porém a gente só tem uma chance de ver pela primeira vez uma cena de crime. – Chego o mais rápido possível.

Bree agarrou meu braço quando me sentei e pus os pés no chão.

– Meu Deus, Alex, que horas...? Ainda é muito cedo. O que está acontecendo?

– Desculpe acordar você – respondi, e me inclinei para trás o suficiente para lhe dar um beijo de bom-dia. – Aliás, mal posso esperar para a gente se casar, sabia?

– Ah, é? E como nosso casamento vai mudar essa situação?

– Não vai. Só que mal posso esperar.

Ela sorriu e, mesmo na semiescuridão, era uma coisa linda de se ver. Nenhuma mulher que eu conheci jamais conseguiu ser tão bonita quanto ela de manhã cedo. Ou tão sensual. Precisei me levantar depressa, antes que começasse algo que não poderia terminar.

– Quer que eu vá com você? – perguntou ela, meio grogue, mas agora se apoiando num cotovelo.

– Não, obrigado. Pode deixar comigo. Mas se você puder levar as crianças à escola...

– Combinado. Mais alguma coisa?

– Uma rapidinha antes de eu ir embora?

– Fica para a próxima – disse ela. – Sampson está esperando. Agora vá, antes que nós dois façamos algo de que não vamos nos arrepender.

Alguns minutos depois eu estava fora de casa e tive de acalmar com gestos o pessoal da segurança no quintal, quando eles me viram passar pela porta. Fazia apenas algumas horas que eu havia chegado me arrastando na direção oposta.

– Olá, pessoal. Regina já vai se levantar – disse eu. – Daqui a pouco chega um café para vocês.

– Com biscoito? – perguntou um deles.

– Não duvido – respondi, rindo.

Aquilo estava fugindo do controle. Eu costumava sair de casa mais cedo do que a maior parte das pessoas, mas antes que Nana Mama ao menos chegasse à cozinha e começasse as tarefas do dia já era um pouco de exagero.