Fogo Cruzado

James Patterson · Capítulo 65 de 129

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Fogo Cruzado

capítulo 61

 

NA VERDADE O DIA TINHA SIDO meio divertido – relaxante e surpreendente, em especial com relação à bela ex-mulher de Mitch. A noite tinha acabado de cair quando chegaram a Arlington. Mitch passara a maior parte da viagem olhando para a paisagem da estrada, suspirando e se remexendo como alguém que não conseguisse dormir.

Mas agora, quando chegaram à ponte Roosevelt, ele se empertigou, olhando para a frente direto pelo para-brisa.

– Que diabo é aquilo, Denny?

Carros estavam parados na autoestrada nas duas direções. Havia radiopatrulhas com luzes piscando dos dois lados e policiais uniformizados na pista. Não era só um engarrafamento, e também não parecia um acidente.

– Blitz – disse Denny, percebendo o que era.

A cidade instituíra essas batidas havia alguns anos, mas só nos bairros mais violentos. Ele nunca vira nada assim.

– Alguma coisa grave deve ter acontecido. Grave mesmo.

– Não estou gostando disso, Denny. – O joelho de Mitch começou a balançar. – Eles não estão procurando um Suburban desde que a gente fez aquela ação em Woodley Park?

– É, mas é um Suburban azul-escuro ou preto. Além disso, eles estão parando todo mundo, está vendo? Puxa, eu gostaria de ter uns jornais para a gente vender neste tráfego – disse Denny, esforçando-se para que sua voz soasse animada. – Seria bom recuperar uma parte do dinheiro que gastamos com a gasolina.

Mitch não estava engolindo isso. Ficou todo encurvado e tenso enquanto eles se aproximavam da fila de veículos.

Então, do nada, ele perguntou:

– Onde foi que a gente conseguiu o dinheiro da gasolina, Denny? E aquele envelope para Alicia? Não sei como a gente está pagando por isso.

Denny trincou os dentes. A única coisa para a qual se podia contar com Mitch em geral era a ausência de perguntas relacionadas à honestidade.

– Você sabe o que aconteceu com aquele gato curioso, não sabe, Mitchie? M-O-R-R-E-U. Só se concentre nas coisas importantes e deixe que eu cuide do resto. Inclusive disso.

Estavam chegando à blitz e um policial do tamanho de um jogador de basquete sinalizou para pararem.

– Carteira de motorista e documentos do carro, por favor.

Denny enfiou a mão no porta-luvas e entregou-os sem pestanejar. Por isso era importante trabalhar para as pessoas certas. “Denny Humboldt” tinha uma ficha limpa que nem a bunda de um gato de exposição – nesse ponto até aquela multa de estacionamento havia deixado de existir.

– O que está acontecendo, policial? – perguntou ele. – Parece algo importante.

O oficial respondeu com uma pergunta enquanto examinava a pilha de lixo no banco de trás.

– De onde vocês estão vindo?

– Johnsonburg, Pensilvânia. Por sinal, não recomendo a viagem. É um fim de mundo.

– Quando vocês foram para lá?

– Hoje de manhã. Fomos passar o dia. Então acho que o senhor não pode me contar nada, não é?

– Isso mesmo. – O policial devolveu os documentos e fez um gesto para seguirem em frente. – Podem ir, por favor.

Enquanto se afastavam, Mitch tirou as mãos de cima dos joelhos e soltou um suspiro enorme.

– Essa foi por pouco – disse. – Aquele filho da puta sabia de alguma coisa.

– Não sabia, Mitch. De jeito nenhum. Ele é como todo mundo: ninguém faz a mínima ideia.

Não demoraram muito para ouvir a cobertura do ocorrido no rádio. Estava correndo a notícia de que o atirador Patriota de Washington havia atacado de novo. Um policial cujo nome não tinha sido divulgado fora acertado a distância, bem ali ao lado do rio Potomac.

Como era de se esperar, quando atravessaram a ponte Roosevelt e entraram na cidade, puderam ver uma massa de policiais estacionados ao longo da Avenida Rock Creeck, à esquerda. Denny uivou alto.

– Veja só a convenção de porquinhos! Parece que este ano o Natal chegou mais cedo.

– Do que você está falando, Denny? – Mitch ainda parecia meio abalado pela parada na blitz.

– O policial morto, cara. Não está ouvindo? Tudo está acontecendo exatamente como a gente esperava. Acabamos de ganhar um imitador!