Fogo Cruzado

James Patterson · Capítulo 40 de 129

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Fogo Cruzado

capítulo 36

 

VOLTEI AO CARRO E COMECEI a rabiscar anotações apoiado no volante, tentando capturar todos os pensamentos que se cruzavam na minha cabeça.

Rebecca disse que ela e Downey estavam no quarto havia pouco tempo. Isso significava que os atiradores estavam esperando por eles. Sabiam exatamente quando e onde deveriam estar, assim como em que momento Vinton e Pilkey estariam do lado de fora do restaurante e que os vizinhos de Mel Dlouhy estariam fora da cidade quando fossem assassiná-lo.

Quem quer que estivesse por trás das mortes tinha uma boa noção dos hábitos das vítimas, da rotina das pessoas ao redor delas e até dos detalhes mais secretos de sua vida particular. Ocorreu-me que reunir essa quantidade de informações exige tempo, mão de obra e conhecimentos específicos, e muito possivelmente dinheiro.

Pensei no que Siegel havia dito no telhado do Edifício Moore. Esses caras são matadores de aluguel. Eu não havia excluído essa hipótese na ocasião e estava a ponto de acreditar nela. Só não gostava de pensar que Siegel havia sido mais rápido que eu. Em geral não sou assim, mas ele me incomodava demais.

Era óbvio que havia algum tipo de objetivo específico por trás desses assassinatos. Se um atirador tão hábil quanto esse quisesse apagar Rebecca, com certeza ela estaria morta a essa altura. Mas ela não se encaixava no perfil: seu único crime fora estar no lugar errado, na hora errada. Não era o que tinha acontecido com os outros. Pelas aparentes regras desse jogo, Rebecca não merecia morrer, mas Skip Downey e os outros “vilões” de Washington, sim.

Então de quem era esse jogo? Quem ditava as regras? E onde tudo isso iria dar?

Eu ainda não conseguia descartar a possibilidade de que nossos atiradores estivessem agindo por conta própria. No entanto, também era paranoico – ou talvez experiente – o bastante para que uma lista de alternativas mais apavorantes começasse a se formar na minha cabeça.

Será que a ação poderia ter, de algum modo, o apoio do governo? De alguma agência nacional? Ou internacional?

Ou a máfia estaria por trás? Os militares? Talvez só um indivíduo bem relacionado, com muito dinheiro e um grande ressentimento?

De qualquer maneira, as questões mais importantes continuavam sem resposta: quem seria o próximo alvo? E como diabos seríamos capazes de proteger cada trambiqueiro de alto nível em Washington? Isso simplesmente não poderia ser feito.

A não ser que tivéssemos muita, muita sorte, mais alguém morreria antes que isso tudo acabasse. E provavelmente seria uma pessoa que a maioria dos cidadãos não se incomodaria em ver morta. Essa era a beleza desse jogo aterrorizante.