Fogo Cruzado
capítulo 86
ENQUANTO SE AFASTAVA dos detetives, Stanislaw Wajda podia sentir o coração ainda martelando no peito. Isso ainda não havia acabado. Não. Não. De jeito nenhum.
De fato, quando chegou à esquina e se arriscou a uma rápida olhada para trás, eles ainda estavam observando-o. Provavelmente iriam segui-lo.
Tinha sido um erro correr daquele jeito. Só tinha piorado as coisas. Agora não podia fazer nada a não ser continuar andando. É. Daria um jeito mais tarde. É.
O carrinho de supermercado estava onde ele o deixara, numa alcova nos fundos do abrigo. Ninguém ali usava a porta dos fundos. Na verdade, muito pouca gente parecia saber ao menos que ela existia.
A alcova tinha tamanho suficiente apenas para esconder o carrinho – fora das vistas da rua – quando ele não podia ficar de olho nele. Puxou-o agora e foi andando pela rua, devagar e cautelosamente, mas pronto para correr de novo, se necessário.
Era bom estar em movimento. A caminhada distraía a mente. E o som do carrinho chacoalhando bambo na calçada era uma espécie de interferência que bloqueava todos os outros sons da cidade. Criava um espaço onde ele podia pensar com clareza e se concentrar no trabalho, assim como no que fazer em seguida.
Bom, se ao menos pudesse se lembrar de onde havia parado...
Mersenne 44, era isso? Era. Era isso. Mersenne 44.
O número voltou lentamente, tremeluzindo no pensamento como se saísse das sombras, até que ele o visse com clareza.
Visse e falasse.
As palavras rolaram para fora quando chegaram, porém baixinho, nada além de um murmúrio. Nada que ninguém fosse ouvir, só o bastante para ajudar a tornar o número verdadeiro de novo.
– Dois elevado a 32.582.657 – disse.
É. Era isso, exatamente. Mersenne 44. Isso. Isso. Isso.
Agora ele acelerou e continuou pela rua, sem olhar para trás de novo.