Fogo Cruzado
capítulo 49
– EU SOU A MÃE DELE , pelo amor de Deus! Não estava fazendo nada de errado! Não sou um dos seus bandidos.
Christine ficou na defensiva no instante em que cheguei. Ficamos discutindo no corredor enquanto Ali esperava na secretaria da escola.
– Christine, existem regras sobre esse tipo de coisa, regras que você costumava cumprir. Você não pode aparecer do nada e esperar que...
– O que você está dizendo? – reagiu ela com rispidez. – Brianna Stone, essa mulher que eu nem conheço direito, pode pegar meu filho na escola e eu não posso? Metade dos professores daqui ainda sabe quem eu sou!
– Você não está entendendo. – Eu não sabia se ela estava tentando se livrar da situação ou se acreditava mesmo que tinha esse direito. – O que exatamente você estava planejando fazer com ele?
– Ah, não me olhe desse jeito – respondeu ela, ignorando minha preocupação. – Eu ia telefonar.
– Mas não telefonou. De novo.
– Quero dizer, quando eu saísse com ele da escola. Nós íamos tomar um sorvete e ele chegaria em casa antes do jantar. Agora ele está todo confuso e chateado. Não precisava ser assim, Alex.
Era como ouvir um piano desafinado. Tudo parecia um pouco fora do lugar. Até as roupas dela. Christine estava vestida impecavelmente, com um terninho bem cortado de linho branco, sandália de salto alto e maquiagem completa. Na verdade, estava estupenda. Mas quem ela estava tentando impressionar?
Respirei fundo e tentei de novo.
– O que aconteceu com seu congresso? – perguntei.
Pela primeira vez ela desviou o olhar. Espiou um dos quadros de aviso no corredor. Estava coberto de desenhos feitos com lápis de cera mostrando carros, aviões, trens e barcos, com as palavras MEIOS DE TRANSPORTE em letras recortadas na parte de cima.
– Você viu o do Ali? – perguntou ela, apontando para o barco a vela dele. Claro que eu vi.
– Christine, olhe para mim. Você ao menos tinha um congresso?
Ela cruzou os braços e piscou várias vezes enquanto me encarava de novo.
– Bom, e se eu não tivesse? É um crime tão grave sentir saudade do meu filho? Ter pensado que ele queria ver a mãe e o pai no mesmo lugar só uma vez? Meu Deus, Alex, o que aconteceu com você?
Ela parecia ter resposta para tudo, menos para minhas perguntas. A única parte em que eu realmente acreditava era que ela amava Ali e sentia sua falta. Mas isso não bastava.
– Certo, vamos fazer o seguinte – disse eu. – Vamos tomar um sorvete. Você pode se despedir depois disso, e então o verá de novo em julho, como sempre. Qualquer outra coisa, vamos voltar à mediação. Isso é uma promessa, Christine. Não tente me testar.
Para minha surpresa, ela sorriu.
– Podemos jantar, então, só nós três, e depois eu entro comportadinha no avião para Seattle. O que acha?
– Não posso.
Sua boca se apertou de novo numa linha dura e reta.
– Não pode ou não quer?
A resposta era as duas coisas, mas, antes que eu pudesse dizer algo, a porta da secretaria se abriu e Ali apareceu. Parecia solitário e apavorado.
– Já podemos ir embora? – perguntou.
Christine apertou-o num abraço, exatamente como tinha feito na noite anterior. Em sua defesa, não havia em seus olhos nem sinal da fúria de alguns segundos antes.
– Surpresa, querido! Vamos sair para tomar um sorvete. Você, papai e eu, agora mesmo. O que acha?
– Posso tomar duas bolas? – perguntou ele na mesma hora.
Não pude deixar de rir. De verdade.
– Sempre querendo se dar bem, hein, rapazinho? Tudo bem, duas bolas. Por que não?
Enquanto saíamos da escola, Ali segurou nós dois pelas mãos, um de cada lado, e havia sorrisos por toda a parte. Mas eu continuava pensando que Christine não havia se comprometido com nada.