Fogo Cruzado

James Patterson · Capítulo 27 de 129

Páginas do PDF

Fogo Cruzado

capítulo 23

 

EU ESTAVA EM CASA QUANDO recebi o telefonema sobre o assassinato mais recente do atirador de elite, perto de Woodley Park.

– Detetive Cross? Aqui é o sargento Ed Fleischman, do Segundo Distrito. Tivemos um homicídio horrível aqui e é muito provável que tenha sido o atirador de elite.

– Quem é a vítima? – perguntei.

– Mel Dlouhy, senhor. Foi por isso que liguei. Ele se encaixa perfeitamente no seu caso.

Dlouhy estava, no momento, livre sob fiança, mas continuava envolvido no que parecia um dos maiores escândalos fiscais da história dos Estados Unidos. Alegava-se que ele tinha usado seu cargo na Receita Distrital para canalizar dezenas de milhões de dólares dos contribuintes para si mesmo, sua família e seus amigos, em geral através de instituições de caridade infantis sem fins lucrativos que na verdade não existiam.

Outro incidente com o atirador de elite e outro vilão recém-saído das manchetes: tínhamos um padrão.

Além disso, o caso acabara de subir de nível. Eu estava determinado a fazer tudo certo desde o início desta vez. Se a ocorrência precisava virar um circo, eu podia pelo menos tentar fazer com que fosse o meu circo.

– Onde você está? – perguntei ao sargento.

– Na Rua 32, perto da Avenida Cleveland, senhor. Conhece as redondezas?

– Conheço.

O Segundo Distrito era o único da cidade com taxa de homicídio zero no último ano. Isso é que era estatística. Eu já podia sentir o pânico crescendo na vizinhança.

– A ambulância já chegou?

– Sim, senhor. A vítima foi declarada morta.

– E a casa está limpa?

– Fizemos uma varredura nos arredores e a Sra. Dlouhy está conosco agora. Posso pedir autorização para uma busca, se o senhor quiser.

– Não. Se houver alguém lá dentro, quero que saia. Ligue para a unidade móvel de criminologia de Washington. Eles podem começar a fotografar, mas ninguém toca em nada até eu chegar – ordenei ao sargento Fleischman. – Vocês já têm alguma ideia do lugar de onde os tiros vieram?

– Ou do quintal dos fundos ou do terreno vizinho, lá atrás. Não tem ninguém em casa lá.

– Tudo bem. Monte um posto de comando na rua. Não no quintal, sargento. Quero policiais na porta da frente e na de trás, e outro na casa do vizinho. Qualquer um que queira entrar nos dois lugares terá de passar por vocês primeiro, e a seguir a resposta será não. Pelo menos até eu chegar. Essa é uma cena de crime da Polícia Metropolitana e eu sou a autoridade do Departamento de Homicídios. Vocês vão ver o FBI, o Escritório de Álcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos e talvez o chefe de polícia também. Ele mora muito mais perto daí do que eu. Diga para ele ligar para o meu carro, se quiser.

– Mais alguma coisa, detetive? – Fleischman pareceu só um pouquinho atarantado. Não que fosse culpa dele. A maioria dos policiais do Segundo Distrito não está acostumada com esse tipo de coisa.

– Sim, fale com os seus policiais que foram os primeiros a aparecer aí. Não quero ninguém abrindo o bico para a imprensa ou para os vizinhos. Ninguém. É como se vocês não tivessem visto nada, não soubessem nada. Só mantenham o lugar bem isolado até eu chegar.

– Vou tentar – prometeu ele.

– Não, sargento. Você vai fazer. Acredite: nós precisamos manter esse lugar totalmente isolado.