Fogo Cruzado

James Patterson · Capítulo 9 de 129

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Fogo Cruzado

capítulo 5

 

DENNY FOI NA FRENTE e Mitch o seguiu como uma criança.

– É aqui em cima, meu chapa. Vamos indo.

O 10o andar era o último do prédio. Pedaços de plástico pendiam sobre partes da estrutura de caibro das paredes e o chão era de compensado. Uma pilha de estrados perto das janelas que davam para a Rua 18 serviam como um bom ponto de observação.

Denny desenrolou a lona plástica e abriu-a no chão. Os dois largaram as mochilas. Ele pôs a mão nas costas de Mitch e apontou para o lugar por onde haviam acabado de subir.

– Saída principal – disse, depois se virou noventa graus na direção de outra porta. – Saída alternativa.

Mitch assentiu nas duas vezes.

– E se nós nos separarmos? – continuou Denny.

– Eu limpo as impressões digitais da arma, abandono em algum lugar e encontro você no carro.

– Esse é o cara.

Tinham repassado isso umas cinquenta vezes, do começo ao fim. O treinamento era a chave. Mitch possuía todo tipo de talentos brutos, mas Denny pensava pelos dois.

– Alguma dúvida? – questionou Denny. – Esta é a hora de fazer perguntas. Mais tarde não vai adiantar nada.

– Não – respondeu Mitch. Sua voz tinha ficado monocórdia e distante, como sempre acontecia quando ele estava se concentrando em outra coisa. Já havia posicionado o fuzil M110 no suporte, com um abafador de som, e estava apontando-o, calibrando a mira.

Denny montou seu M21 e pendurou-o às costas. Se tudo corresse de acordo com o plano, ele jamais teria de usá-lo, mas era bom ter uma arma reserva. A Walther também estava no coldre da coxa.

Usou um compasso de corte com lâmina de diamante para riscar um círculo perfeito de 5 centímetros na janela, depois puxou o disco cortado com uma pequena ventosa. As luzes das ruas lá embaixo enviavam uma claridade que fazia a janela, vista de baixo, parecer um espelho.

Enquanto Mitch se posicionava, Denny passou o dedo no vidro e desenhou outro círculo, através do qual podia olhar por cima do ombro de Mitch e ao longo do cano do fuzil. Até a diferença de altura entre os dois ajudava.

Tirou sua luneta da embalagem. Dali tinham uma vista livre até a porta da Taberna del Alabardero. Com a ampliação de cem vezes da luneta, Denny praticamente conseguia ver os poros no rosto das pessoas que entravam e saíam do restaurante metido a besta.

– Aqui, porquinho, porquinho, porquinho – sussurrou. – Ei, Mitch, sabe como um porco descobre que já comeu o suficiente?

– Não.

– Quando vira comida.

– Essa é boa – disse Mitch, com a mesma voz distante de antes. Agora estava na posição: uma pose meio esquisita, com a bunda arrebitada e os cotovelos dobrados, mas isso funcionava para ele. Agora que tinha acertado a postura, não iria se mover nem desviar os olhos até tudo acabar.

Danny fez a verificação final. Olhou para o vapor que saía de uma abertura de ventilação do outro lado da rua, o modo como ele subia direto. A temperatura do ar era de aproximadamente 15 graus. Tudo perfeito.

Agora só precisavam de um alvo, que chegaria logo, logo.

– Está pronto para abrir essa caixa de Pandora, Mitchie? – perguntou ele.

– Quem é Pandora, Denny?

Ele deu um riso baixo. Mitch era realmente uma figuraça.

– É só a garota dos seus sonhos, cara. A garota da porra dos seus sonhos mais loucos.