Fogo Cruzado
capítulo 91
ACENA NA FARRAGUT SQUARE era de uma familiaridade deprimente. Nunca sei bem o que é pior: o choque de ver algo que jamais vi ou o peso de ver essa mesma coisa vezes de mais.
– O carrinho é dele, sem dúvida – disse Sampson. – Acabamos de encontrar isto.
Ele estendeu uma sacola de provas que tinha dentro meu cartão de visitas manchado. A sensação foi de um chute na cabeça. Que confusão!
– Também há uma mancha de sangue visível no metal e uma marreta com o cabo serrado dentro do carrinho. É provável que seja a arma do crime.
– Estive pensando nisso – falei. – Há uma longa passagem subterrânea bem ali na Lindholm. Os sem-teto dormem ali o tempo todo. Pode ser onde ele andava caçando as vítimas.
– Pode ser – respondeu John. – Mas então por que o carrinho está aqui? Não estou entendendo. Por que na Rua K?
Sem contar a imitação feita por Kyle Craig com Anjali Patel, todas as três vítimas do caso haviam sido deixadas em algum lugar ao longo da Rua K, cada uma delas perto do cruzamento com uma rua de número primo: Vinte e Três, Treze e agora Dezessete. Com dois incidentes era mais difícil ver isso, mas com três o padrão saltava aos olhos. Imaginei se a letra “K” representava algo específico em matemática, mas não tinha certeza. E, além disso...
– O sujeito é maluco, Sampson. Essa é a constante. Podemos não chegar muito longe procurando uma motivação.
– Ou procurando por ele – disse John, e apontou para o carrinho. – O que quer que o tenha feito deixar suas coisas para trás, algo mudou, Alex. Não sei o que é, mas tenho a sensação de que talvez nunca mais vejamos o cara. Acho que ele já era.