Fogo Cruzado

James Patterson · Capítulo 33 de 129

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Fogo Cruzado

Parte Dois

 

RAPOSAS NO GALINHEIRO

capítulo 29

 

O PESSOAL DA BALÍSTICA havia chegado.

Esse era o relatório que todo mundo vinha esperando, e eu o programei para coincidir com o dia da teleconferência do Grupo de Informações de Campo. Estava na linha toda a equipe da Polícia Metropolitana, além de agentes do FBI, do Escritório de Álcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos e da polícia do Capitólio – a essa altura, praticamente todo mundo estava ligado ao caso.

Os responsáveis pelo relatório eram Cailin Jerger, do Departamento de Análise Forense do laboratório do FBI em Quantico, e Alison Steedman, da Unidade de Análise de Projéteis.

Depois de algumas apresentações rápidas, passei a palavra a eles.

– Baseado nos fragmentos encontrados nos crânios das três vítimas, posso dizer de forma conclusiva que a mesma arma foi usada todas as vezes – informou Jerger ao grupo. Eu havia ficado sabendo de tudo isso de manhã, mas era novidade para quase todos os outros na reunião. – Uma bala calibre 7.62 pode levar a dezenas de armas, mas dadas a natureza e a distância desses tiros, acreditamos que estamos diante de um caso de atirador de elite de alto nível. Isso reduz nossas possibilidades a sete.

– E a partir daí fica melhor – continuou o agente Steedman. – Quatro dessas sete possibilidades são fuzis de ferrolho. De acordo com todos os relatos, as duas primeiras vítimas, Vinton e Pilkey, caíram com dois segundos de diferença entre si. Isso é rápido demais para se tratar do sistema de ferrolho, o que nos deixa com três opções de fuzis semiautomáticos: o M21, o M25 e o M110, mais recente, de última geração. Não podemos descartar nenhum, mas todos os tiros foram dados à noite, em condições de iluminação variáveis, e o M110 vem com um sistema ótico térmico de fábrica.

– Tudo isso para dizer que o atirador provavelmente está muito bem equipado – disse Jerger.

– Qual é o grau de dificuldade para se conseguir um M110? – Reconheci a voz de Jim Heekin, da Diretoria de Informações.

– Eles são fabricados em apenas um lugar – respondeu Steedman. – Na Companhia de Armamentos Knight, em Titusville, na Flórida.

Eu já tinha investigado isso, portanto falei:

– Até agora todo o estoque da Knight está contabilizado. Mas assim que esses armamentos chegam ao campo, em especial no Iraque e no Afeganistão, eles podem sumir, e somem. Suvenires de guerra, esse tipo de coisa. Então, é praticamente impossível rastreá-los.

– Detetive Cross, aqui é o capitão Oliverez, da polícia do Capitólio. Seu relatório não informava que as digitais encontradas na Rua 18 não eram de militares?

– Informava – respondi. – Mas nós não estamos prontos para descartar uma ligação com militares no que diz respeito ao modo como a arma pode ter sido conseguida e como está sendo usada. Na verdade, isso alerta para outro ponto. – Eu mantivera isso em segredo durante metade de um dia, porém agora realmente não fazia sentido não compartilhar com o grupo. – Deixem-me enfatizar uma coisa. Quero manter essa informação longe da imprensa até conseguirmos qualquer tipo de prova. Sei que isso é bastante difícil, porque somos muitos nesta reunião, mas conto com a discrição dos senhores.

– O que acontece em Vegas fica em Vegas – brincou alguém, e houve alguns risos baixos.

– O ponto é o seguinte – continuei. – Todos esses tipos de armamento dos quais estamos falando são usados por equipes. O modelo militar é de um atirador e um observador no campo. – Eu podia ouvir pessoas murmurando umas com as outras em suas várias salas de reuniões. – Vocês já entenderam aonde quero chegar. Pode ser um eco do clima de 2002. É possível que não estejamos mais procurando por um único atirador. Provavelmente estamos atrás de uma equipe formada por dois homens.