Fogo Cruzado

James Patterson · Capítulo 73 de 129

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Fogo Cruzado

capítulo 69

 

POBRE ANJALI.

E que bosta! Como isso aconteceu? Como diabos pôde acontecer?

Há algo inevitável quando se conhece a vítima de um homicídio, em especial de um assassinato tão brutal. Perguntas desagradáveis ficavam lutando para vir à tona: será que Anjali viu o que ia acontecer? Será que sofreu muito? Será que tudo acabou rápido?

Tentei me lembrar de que qualquer trabalho de precisão com a faca teria de ser posterior à morte, mas esse pensamento era pouco reconfortante no momento. Além disso, o melhor que eu poderia fazer por Patel era me concentrar no serviço e na cena de crime com o máximo de objetividade possível em circunstâncias tão abomináveis.

Liguei para o escritório da perícia na mesma hora. Queria garantir que Porter Henning fosse designado para o caso e também gostaria de descobrir por que cargas-d’água estavam demorando tanto. Já deveriam ter chegado. Droga, eu tinha chegado.

Sampson anotou os números que encontramos nas costas de Anjali e os jogou em seu BlackBerry para ver o que poderia descobrir sobre eles de imediato.

Quando terminei de falar com Porter, que se encontrava preso no trânsito na Eisenhower Freeway, John me chamou para ver algo.

– Não sei, Alex. Isso é bastante aleatório. – Ele virou a tela para me mostrar o mapa que havia baixado. – É um endereço em Overland Park, Kansas. Este caso está ficando cada vez mais estranho. Talvez seja algum tipo de fórmula matemática, afinal de contas.

– Que tal uma busca reversa pelo endereço?

– Estou fazendo isso. – Mas era uma coisa vagarosa, com aquelas mãos que mais pareciam patas de animal no teclado minúsculo. Por isso Sampson quase nunca passa mensagens de texto para ninguém.

– Pronto, consegui. É um restaurante – disse ele. – Churrascaria Obra-prima do KC?

Sampson estava balançando a cabeça como se aquilo não pudesse estar correto, mas o nome me acertou como uma flecha. Isso deve ter ficado estampado na minha cara, porque ele balançou a mão diante dos meus olhos.

– Alex? Onde você está?

Meus punhos haviam se apertado. Eu queria dar um soco em alguma coisa. Queria muito.

– Claro – falei. – É exatamente assim que o filho da puta age.

– É assim que quem age? Do que você está...?

Mas então ele entendeu.

– Ah, meu Deus!

Agora tudo fazia sentido, do pior modo possível. Havia a referência ao fuzil Alex na noite anterior e agora isto: obra-prima do KC.

A obra-prima de Kyle Craig.

Ele já fizera isso antes: já deixara pistas numa cena de crime, sempre destinadas a lhe dar o crédito devido. Aquelas duas mortes eram referências aos meus casos abertos – o assassinato de Tambour no estilo do atirador, ou dos atiradores, de elite, e os números gravados com tanta brutalidade na pele de Anjali Patel.

Era óbvio que Kyle havia matado os dois. Ou mandado alguém matar.

Então, com uma espécie terrível de choque retardado, lembrei-me de outra coisa: Bronson James, o Pop-Pop, meu jovem paciente. Ele havia levado um tiro quando tentava assaltar uma loja, um lugar chamado Cross Country Liquors. Claro. Por que só agora isso tinha me ocorrido?

Tudo se encaixava: o mundo caía outra vez na minha cabeça. Kyle estava me rodeando e chegando mais perto, provocando o máximo de destruição possível no caminho. E isso não era simplesmente uma selvageria irracional. Era algo muito mais específico e, a não ser que eu estivesse enganado, muito mais pessoal.

Tudo fazia parte de meu castigo por tê-lo apanhado na primeira vez.