Fogo Cruzado

James Patterson · Capítulo 7 de 129

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Fogo Cruzado

capítulo 3

 

O ASSUNTO PRINCIPAL NA MINHA vida nesses dias era Bree – Brianna Stone, conhecida na Polícia Metropolitana como a Rocha. Sim, ela era tudo isto: firme, intensa, linda. Havia se tornado parte da minha vida a ponto de eu não conseguir mais me imaginar sem ela. Fazia anos que as coisas não atingiam esse ponto de equilíbrio para mim.

Claro, o fato de o Departamento de Homicídios estar tão calmo ultimamente também ajudava. Como policial, você não consegue deixar de se perguntar quando o mundo vai cair de novo na sua cabeça, mas enquanto isso Bree e eu tínhamos inéditas duas horas de almoço naquela tarde de quinta-feira. Em geral, o único modo de nos vermos durante o dia era trabalhando no mesmo caso de homicídio.

Nós nos sentamos a uma mesa dos fundos no Ben’s Chili Bowl, sob todas aquelas fotos autografadas de celebridades. O Ben’s não é exatamente o lugar mais romântico do mundo, mas é uma instituição em Washington. Só as salsichas semidefumadas já valiam a visita.

– Sabe como as pessoas estão nos chamando no trabalho? – perguntou Bree, terminando sua bebida. – Breelex.

– Breelex? Tipo Brangelina, de Brad Pitt e Angelina Jolie? Isso é horroroso.

Ela gargalhou. Não conseguia ficar séria diante disso.

– Estou dizendo, os tiras não têm imaginação.

– Hummm. – Pus a mão de leve na perna dela, por baixo da mesa. – Há exceções, claro.

– Claro.

Qualquer coisa além disso teria que esperar, mas não somente porque os banheiros do Ben’s nem de longe eram uma opção. Na verdade nós precisávamos ir a um lugar importante naquele dia.

Depois do almoço caminhamos de mãos dadas pela Rua U até a joalheria de Sharita Williams. Sharita era uma velha amiga do ensino médio e por acaso também fazia um trabalho fantástico com peças antigas.

Uma dúzia de sininhos minúsculos tilintou sobre nossa cabeça quando passamos pela porta.

– Ora, vejam se vocês não parecem apaixonados! – Sharita sorriu de trás do balcão.

– É porque estamos, Sharita – respondi. – E eu recomendo fortemente.

– Se você achar um bom homem para mim, estou dentro.

Ela sabia por que estávamos ali e tirou uma caixinha de veludo preto de baixo do balcão.

– Ficou lindo – falou. – Adorei esta peça.

O anel pertencera à minha avó, Nana Mama, que tinha mãos incrivelmente pequenas. Precisamos mandar alargá-lo para Bree. A peça tinha uma base de platina em estilo art déco, com três diamantes incrustados, o que me pareceu perfeito: um para cada filho. Talvez seja brega, mas era como se aquela joia representasse tudo com que Bree e eu estávamos nos comprometendo. Afinal de contas, era um pacote completo, e eu me sentia o homem mais sortudo do mundo.

– Ficou bom? – perguntou Sharita quando Bree o colocou.

Bree não conseguia tirar os olhos do anel e eu não conseguia tirar os olhos dela.

– É, ficou bom – respondeu, pegando minha mão. – É a coisa mais linda que já vi.