Fogo Cruzado

James Patterson · Capítulo 34 de 129

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Fogo Cruzado

capítulo 30

 

QUANDO SAMPSON E EU saímos da sala de reuniões, encontramos Joyce Catalone, do nosso Departamento de Comunicações, parada do lado de fora.

– Eu já ia tirar vocês de lá – disse ela. – Ainda bem que não precisei.

Olhei meu relógio: 16h45. Isso significava que deveria haver mais de 30 repórteres lá embaixo, esperando para me fritar em seus jornais das cinco e seis horas. Droga – era hora de alimentar as feras.

Joyce e Sampson me acompanharam. Pegamos a escada para que ela pudesse repassar algumas coisas em que eu devia pensar no caminho.

– Keisha Samuels, do Post, quer fazer um perfil para a revista de domingo.

– Não – respondi. – Gosto de Keisha, ela é inteligente e justa, mas é cedo demais para esse tipo de matéria mais profunda.

– E tenho a CNN e a MSNBC prontas para dar 30 minutos do horário nobre para o caso, se você estiver disposto a ir.

– Joyce, não vou participar de nenhuma cobertura especial enquanto não tivermos algo que queiramos que as pessoas saibam. Eu adoraria que tivéssemos.

– Sem problema, mas não venha chorar no meu ombro quando quiser alguma cobertura e eles já estiverem interessados em outra coisa. – Joyce era antiga no departamento e mãezona não oficial dos Serviços Investigativos.

– Eu nunca choro – respondi.

– A não ser quando eu nocauteio você – disse Sampson, dando um soco na minha direção.

– Isso é por causa do seu hálito, não dos seus socos – rebati.

Tínhamos chegado ao térreo e Joyce parou com a mão na porta.

– Com licença, rapazes. Podemos nos concentrar? – Ela também era excelente em seu trabalho e fantástica para se ter como apoio nessas coletivas de imprensa diárias, que podiam ficar meio tensas.

Eu disse “meio”? Um enxame de repórteres veio para cima de nós no instante em que pisamos nos degraus da frente do Daly Building.

– Alex! O que pode nos dizer sobre Woodley Park?

– Detetive Cross, aqui!

– É verdade que...

– Pessoal! – gritou Joyce em direção ao grupo. Seu tom de voz era famoso no departamento. – Deixem o detetive fazer a declaração dele antes! Por favor.

Apresentei rapidamente os fatos das últimas 24 horas e disse o que podia sobre o relatório de balística do FBI, sem entrar em muitos detalhes. Depois disso a confusão continuou.

O Canal 4 chegou primeiro. Reconheci o microfone, mas não o repórter, que parecia ter uns 12 anos.

– Alex, você tem algum recado para o atirador? Alguma coisa que você quer que ele saiba?

Pela primeira vez uma espécie de silêncio brotou na escadaria. Todo mundo queria ouvir minha resposta a essa pergunta.

– Qualquer forma de contato da parte do responsável por esses tiros é bem-vinda – falei em frente às câmeras. – Você sabe onde nos encontrar.

Não era uma grande declaração, nem um arroubo de valentia ou qualquer outra coisa que algumas pessoas ali poderiam esperar que eu dissesse. Mas dentro da investigação estávamos todos de acordo: não haveria provocações, ameaças ou caracterizações públicas do assassino – ou dos assassinos – até termos mais informações sobre a pessoa, ou pessoas, com quem estávamos lidando.

– Próxima pergunta. James! – gritou Joyce, só para manter o foco e ir em frente.

Era James Dowd, um dos correspondentes nacionais da NBC. Estava com um bloco grosso de anotações, que ele examinou enquanto falava.

– Detetive Cross, existe alguma verdade nos boatos de um Buick Skylark azul com placa de Nova York ou de um Suburban escuro e enferrujado perto do local do crime em Woodley Park? E pode nos dizer se algum desses veículos foi associado ao assassino?

Fui pego desprevenido e fiquei muito irritado. O problema era que Dowd era bom.

A verdade é que eu tinha um velho amigo – Jerome Thurman, do Primeiro Distrito – seguindo discretamente essas duas pistas desde a noite do assassinato de Dlouhy. Até agora só tínhamos uma lista de um quilômetro de comprimento com registros de veículos e nenhuma prova de que algum deles tivesse qualquer ligação com os tiros.

Porém, mais do que isso, tínhamos um enorme desejo de manter essa informação em segredo. Era óbvio que alguém havia falado com a imprensa, o que não deixava de ser irônico, dado o meu discurso sobre discrição na teleconferência do Grupo de Informações de Campo apenas alguns minutos antes.

Dei a única resposta que pude:

– Sem comentários sobre isso no momento. – Era como pendurar um bife na frente de uma matilha de cães selvagens. Toda a massa pressionou mais ainda.

– Pessoal! – tentou Joyce de novo. – Um de cada vez. Vocês sabem como isso funciona!

Mas era uma batalha perdida. Disparei pelo menos mais quatro “sem comentários” e embromei até que alguém enfim mudou de assunto. Mas o dano já estava feito. Se algum daqueles veículos pertencia mesmo aos atiradores, agora eles tinham um alerta completo e havíamos acabado de perder uma vantagem importante.

Era nosso primeiro grande vazamento da investigação, mas algo me disse que não seria o último.