Fogo Cruzado
capítulo 26
DEMOREI UNS 10 SEGUNDOS para sacar qual era a de Max Siegel e não iria aceitar aquilo.
– Veja, Siegel, não vou fingir que posso mantê-lo fora deste caso, assim como você não pode fazer isso comigo – disse a ele. – Mas deixe que eu esclareça uma coisa. Esta é uma cena de crime da Polícia Metropolitana. Eu sou o investigador encarregado e, se você quiser falar sobre isso com o chefe, ele está logo ali. Enquanto isso, se eu tiver de lhe dizer quão rápido uma sala desta pode esfriar, você nem deveria estar aqui, para começo de conversa.
Sem dúvida haveria uma força-tarefa completa depois dessa noite e era provável que eu acabasse trabalhando com esse babaca do FBI. Mas este não era o melhor momento para uma disputa de quem era o maioral. Por parte dele – ou pela minha.
Sampson veio do quintal, olhando para mim como se dissesse: Quem é esse cara? Fiz as apresentações necessárias.
– O agente Siegel e eu estávamos comparando teorias – expliquei, tentando aliviar um pouco a situação e nos colocar de volta nos trilhos. – Ele também acha que existe um fator militar no caso.
Nesse momento Siegel começou a falar de novo. Ou melhor: a discursar.
– Os atiradores de elite militares vão atrás de alvos de grande importância: oficiais, não soldados rasos. Na minha opinião, é isso que essas vítimas são. Não o presidente de banco, mas o congressista e o lobista que lhe sugam o dinheiro. Não o contribuinte que está esfolando o Tio Sam, mas o cara da Receita Federal que rouba dos contribuintes.
– Um matador em defesa do homem comum – disse Sampson.
– Com o melhor treinamento do mundo. – Siegel estendeu a mão até quase tocar o buraco preto centralizado um centímetro acima da orelha esquerda de Mel Dlouhy. – Esse tipo de precisão não mente.
Ouvi sem falar muito. O cara queria dar uma palestra, não colaborar, mas era bastante bom no que fazia. Se havia algo que ele podia ver e eu não, então eu precisava morder a língua por tempo suficiente para saber o que era.
Era exatamente o que o velho ímã de geladeira de Nana Mama vinha me dizendo desde sempre: Se a vida lhe der um limão, faça uma limonada.