Fogo Cruzado
capítulo 99
DENNY RODOU DE CARRO durante horas. Manteve-se na direção norte e parou em duas mercearias diferentes em Maryland. Comprou um boné de um time de futebol americano, um kit de barbear, óculos de leitura de grau fraco e uma caixa de tintura de cabelos castanha. Isso deve bastar.
Depois de mais uma parada no banheiro de um posto de gasolina em Chevy Chase, pegou o caminho de volta para a cidade. Estacionou em Logan Circle e andou dois quarteirões até a Avenida Vermont, onde o familiar Town Car preto o esperava.
Zachary sorriu abertamente, o que era raro, quando Denny se sentou no banco de trás.
– Veja só você – disse ele. – Prontinho para desaparecer do mapa. Aposto que você é bom nisso também.
– Pois é – respondeu Denny. – Vamos acabar logo com isso. Para que eu possa desaparecer, como você mesmo disse.
– Parece que as coisas correram muito bem, presumindo que possamos acreditar no noticiário.
– É isso aí.
Zachary permaneceu imóvel.
– Mas eles não disseram nada sobre um cúmplice. Nada sobre o Mitch.
– Eu ficaria surpreso se dissessem. Esse tal investigador, o Cross, gosta de esconder o jogo. Porém, acredite, a situação foi resolvida. E, na verdade, não quero mais falar sobre o Mitch. Ele fez bem o serviço.
O contato examinou o rosto de Denny um pouco mais. Enfim estendeu o braço por cima do banco da frente e pegou a bolsa com o motorista. Dessa vez o peso parecia certo, mas Denny a abriu e verificou, só para ter certeza.
Zachary se recostou e pareceu relaxar um pouquinho.
– Diga uma coisa, Denny. O que vai fazer com todo esse dinheiro? Quero dizer, além de arranjar um nome novo.
Denny sorriu para ele.
– Colocar em algum lugar seguro, para começar. – Enfiou a bolsa na jaqueta, como para ilustrar o argumento. – E depois disso...
Não houve o restante da frase. A Walther disparou de dentro de seu bolso e pegou o motorista na nuca. Um jorro de sangue e massa cinzenta acertou o para-brisa.
O segundo tiro deu conta de Zachary, bem através daqueles seus pretensiosos óculos de armação de chifre. Ele nem conseguiu estender a mão para a porta. A ação acabou em segundos – os dois tiros mais satisfatórios que Denny já dera.
Só que ele não era Denny, é claro. Não mais. Essa também era uma sensação bastante boa. Deixar tudo isso para trás.
Porém, não havia tempo para comemorações. O carro mal havia ficado em silêncio quando ele saiu para a calçada e voltou a fazer o que sempre fizera melhor. Manter-se em movimento.