Fogo Cruzado
capítulo 77
O PROBLEMA DESSAS NOVAS digitais de Nova Jersey era que eu não tinha nada com que compará-las. Nenhuma ficha criminal, pelo menos. Assim, não havia como saber se eram todas da mesma pessoa ou não.
Pensei na oferta de ajuda de Max Siegel no outro dia. Com os recursos do FBI, ele provavelmente poderia avançar mais com elas do que o detetive Cowen. Porém eu não estava pronto para lançar mão desse recurso.
Em vez disso, fiz outro pedido ao meu contato no Departamento de Investigações Criminais do Exército em Lagos, Carl Freelander. Achei melhor lidar com algo conhecido, mesmo que ele estivesse do outro lado do mundo e talvez ficando de saco cheio dos meus telefonemas.
– Duas vezes num mês, Alex? Assim vamos ter de arranjar um crachá para você. Como posso ajudá-lo?
– Enquanto isso, eu lhe devo mais uma bebida – disse eu. – E, só para constar, talvez eu esteja caçando o mesmo fantasma da outra vez, mas preciso ter certeza. Tenho mais seis digitais que quero passar no banco de dados civil. Talvez sejam todas da mesma pessoa, talvez não.
Cowen estava certo com relação à qualidade das digitais. O padrão da Polícia Metropolitana é de 13 pontos, que podem ser o lugar onde uma crista ou uma linha termina ou onde ela se cruza com outra crista ou linha. Se duas digitais tiverem 13 ou mais lugares assim, é uma combinação estatística, e eu tinha meia dúzia de imagens escaneadas de boa qualidade com as quais trabalhar.
Carl pediu que eu as mandasse e deixasse o telefone desocupado por cerca de uma hora.
Fiel à sua palavra, ele me ligou 15 minutos depois.
– Bom, tenho uma notícia boa e uma má – disse ele. – Três das seis digitais que você me mandou são de um militar. Você tem o indicador esquerdo e os dedos médios de um cara chamado Steven Hennessey, das Forças Armadas Especiais dos Estados Unidos, Destacamento Operacional Delta, de 1989 a 2002.
– Força delta? Isso é um sinal de perigo – disse eu.
– É, o cara esteve em ação no Panamá, na Tempestade no Deserto, na Somália. E saca só: comandou treinamentos de armas de longo alcance para forças terrestres em Kunduz. Para mim isso cheira muito a um atirador de elite.
Senti como se tivesse ganhado na loteria. Era quase certo que havíamos encontrado um dos nossos atiradores, e ele tinha um nome.
– Qual é o último endereço conhecido dele? – perguntei. – Sabemos onde Hennessey está agora?
– Bem, essa é a má notícia. No cemitério Cave Hill, em Louisville, Kentucky. Hennessey está morto há anos, Alex.