Fogo Cruzado

James Patterson · Capítulo 29 de 129

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Fogo Cruzado

capítulo 25

 

QUANDO ALEX ENTROU NA SALA, Kyle se empertigou e olhou direto nos olhos dele. Defunto ambulante, pensou Kyle, e sorriu enquanto estendia a mão.

– Max Siegel, escritório de campo de Washington. Como vai? Não muito bem, imagino.

Cross apertou a mão de Kyle com relutância, mas mesmo assim foi um momento eletrizante, como o último lance num jogo de basquete profissional. Vamos lá, vamos lá, vamos lá, agora!

– O que está fazendo aqui? – perguntou Cross.

– Acabei de chegar – respondeu Kyle.

– Não me diga. O que quero saber é: o que, especificamente, você precisa saber com relação a esse cadáver?

Era magnífico. Cross não fazia ideia de para quem estava olhando! O rosto era impecável, claro. Se houvesse algum perigo, seria por causa dos ouvidos de Alex, não pelos seus olhos. Seria ali que as semanas que passara vigiando Max Siegel e ouvindo sua voz em Miami começariam de fato a render lucros.

Mas primeiro ele fez exatamente o que Cross não esperaria. Deu-lhe as costas e se ajoelhou para olhar de novo o ferimento.

Um resíduo preto-azulado cobria a pele ao redor do furo. Parte do cabelo do sujeito fora sugada para dentro da cabeça junto com a bala quando esta partiu o crânio. Muito eficiente. Muito impessoal. Ele estava começando a gostar do assassino.

– Balística – disse enfim, e se levantou de novo. – Aposto que foi um cartucho 7,62 x 51 milímetros da Otan, mas sem jaqueta. E que o atirador teve algum tipo de treinamento militar.

– Você leu o dossiê – respondeu Alex não como um elogio, mas apenas observando. – É, realmente seria muito bom ter o apoio da balística do Bureau para confirmar, mas vamos deixar a perícia chegar antes de qualquer coisa. Enquanto isso, preciso que você saia.

Cross não poderia ser mais fácil de decifrar. Neste momento, estava esperando que um pouquinho de grosseria pusesse no lugar aquele novo e agressivo agente do FBI, que sem dúvida não passava de mais um babaca metido, com uma confiança exagerada em seu direito de estar ali – mais ou menos como o próprio Alex havia sido quando era agente.

– Escute – disse Kyle. – Não vou ficar discutindo quem tem crédito pelo quê neste caso. Quero dizer, o promotor federal vai aparecer e ocupar o centro do palco, não importa quem tenha solucionado o mistério, certo?

– Siegel, não tenho tempo para isso agora. Eu...

– Mas não se engane. – Kyle deixou o resto do sorriso amigável de Siegel se esvair. – Temos dois incidentes e três homicídios, todos dentro do distrito. Este é um crime federal. Portanto, você pode trabalhar conosco se quiser, ou pode sair da porra do caminho.

Ele mostrou a Cross seu pequeno aparelho de celular criptografado de última geração.

– Basta uma ligação e eu posso transformar toda esta cena de crime no meu clube particular. Você é que sabe, detetive. Como vai ser?