Fogo Cruzado

James Patterson · Capítulo 99 de 129

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Fogo Cruzado

capítulo 95

 

APÓS CINCO DIAS ESCONDIDO com Mitch nas florestas da Virgínia Ocidental, Denny recebeu o telefonema que estava esperando. Depois disso seguiram-se vários dias de trabalho de reconhecimento de terreno em Washington antes que estivessem em condições de agir. Agora faltava pouco para ele ser um homem livre. Um homem livre muito rico.

A porta se abriu atrás dele com um estrondo após ele ter colocado os pés no telhado do National Building Museum.

Virou-se e Mitch levantou a mão.

– Foi mal – disse ele.

– Feche essa porcaria e venha logo – ordenou Denny, com mais rispidez do que pretendia.

Não que fazer barulho realmente importasse. O museu fechava à noite e a ameaça mais próxima era o panaca de 20 e poucos anos sentado a uma mesa da segurança lá embaixo, no térreo, assistindo a filmes de terror em seu laptop. A irritação tinha mais a ver com o fato de ter passado muitas noites dormindo grudado em Mitch no velho Subaru, vivendo de comida enlatada e ouvindo-o falar sem parar sobre a “missão”.

Acalmou-se e foi até o canto sudoeste do telhado para observar.

O tráfego na Rua F estava tranquilo para uma sexta-feira. Havia uma brisa suave, com a promessa de chuva mais tarde, mas até agora tudo se encontrava sossegado. As primeiras limusines começariam a chegar diante do Sidney Harman Hall – ou apenas “Harman”, para os moradores locais – em cerca de 15 ou 20 minutos.

Mitch se aproximou e esperou em silêncio atrás de Denny, que desenrolava a lona. Então Mitch arrumou seu equipamento e começou a montar o M110.

– Está bravo comigo, Denny? – perguntou ele, enfim. – Estamos com algum problema?

– Não, cara – respondeu Denny de imediato. Não havia sentido em deixá-lo tenso esta noite. Em especial esta noite. – Você está se saindo maravilhosamente bem. Só estou querendo acabar logo com isso, sacou? Meio ansioso demais. Foi mal digo eu.

Isso pareceu satisfazer Mitch. Ele assentiu e voltou na mesma hora ao serviço. Desdobrou o suporte, pousou o fuzil no parapeito e encostou o olho na mira telescópica. Assim que ajustasse a culatra de encontro à bochecha poderia começar a ajustar a mira.

– Esta noite estamos trabalhando a uma boa distância – disse Denny, mantendo a voz afável e calma. – Os carros vão parar por todo o quarteirão.

Mitch girou à esquerda e à direita algumas vezes, observando a calçada diante do teatro.

– Você disse que esses sacanas são dois juízes?

– Isso mesmo – respondeu Denny. – Dois dos escrotos mais poderosos do país.

– O que eles fazem?

– Você sabe o que é um juiz ativista?

– Na verdade, não. O que é?

– Bom, digamos apenas que os bons e velhos Estados Unidos da América vão ficar melhores sem eles. Eu identifico e você derruba, Mitchie, mas vai ser rápido. Você precisa estar preparado, certo? Um, dois, e aí a gente se manda.

Mitch manteve a posição, como sempre, porém os cantos de sua boca se levantaram minimamente. Era a coisa mais próxima de um sorrisinho presunçoso que Denny via nele em um bom tempo.

– Não se preocupe, Denny. Não vou errar.