Fogo Cruzado
capítulo 11
Caro Filho da Puta,
ESPERO QUE VOCÊ esteja satisfeito. Talvez um dia você perca a porra do SEU trabalho e da SUA casa, e então vai ter alguma PORRA DE IDEIA do que está fazendo pessoas inocentes passarem aqui no mundo REAL.
Muitas mensagens, mas não todas, eram bem parecidas com essa. Vou dizer uma coisa: quando as pessoas ficam realmente irritadas, elas xingam!
Os remetentes eram indivíduos furiosos, desapontados, ameaçadores, abalados, malucos. Tinha de tudo. Meu mandado expirava às dez da noite, mas eu poderia ter passado a madrugada toda lendo correspondências cheias de ódio na sala de Pilkey.
Depois de um tempo me cansei dos funcionários que passavam devagar pela porta da sala, por isso a fechei e continuei examinando o material.
As cartas vinham de todo o país, mas em especial do Kansas, o estado natal de Pilkey. Havia histórias sobre a perda de casas e de economias de toda uma vida, sobre famílias que não podiam permanecer juntas – todo tipo de gente que havia sofrido com a reviravolta financeira e atribuía uma grande parcela da culpa à Rua K e a Washington.
Os blogs, pelo menos os que a D-M rastreava, eram mais radicais, tendendo para o político em vez do pessoal. Um grupo, o Centro de Responsabilidade Pública, parecia comandar o ataque. Eles – ou, pelo que eu sabia, algum cara num porão em algum lugar – tinham uma coluna regular chamada “Lute Contra o Poder”. O último post tinha o título “Roubem Hood: roubando dos pobres para dar aos ricos”.
Usando os princípios do mercado livre para acobertá-los, os membros do Clube dos Garotos e Garotas de Washington, ou seja, os lobistas dos banqueiros e nossas próprias autoridades eleitas, emitiram um cheque em branco depois do outro para seus coleguinhas corporativos. Sim, as mesmas pessoas que derrubaram a economia deste país continuam sendo tratadas como a realeza no Capitólio, e adivinhe quem está pagando a conta? Estou falando dos nossos impostos, do nosso dinheiro. No meu dicionário isso se chama roubo e está acontecendo diante dos nossos olhos.
Clique aqui para ver os endereços e os números de telefone de alguns dos
mais ultrajantes barões do crime em Washington. Ligue para eles durante o
jantar uma noite dessas e diga como se sente. Melhor ainda, espere até que eles tenham saído, depois invada sua casa e pegue um pouco do dinheiro que eles trabalharam tanto para ganhar. Veja se eles vão gostar.
Em certo sentido, a coisa mais inesperada na sala de Pilkey era a coleção que ele mantinha de matérias relacionando-o ao escândalo. Um artigo recente ainda estava numa pasta sem etiqueta, sobre a mesa. Era do New York Times.
Tanto Pilkey quanto Vinton são os protagonistas do que sem dúvida irá se tornar mais uma
investigação longa e arrastada que não provará nada, não punirá ninguém e não fará nada
para proteger os indivíduos que mais importam: as pessoas comuns que simplesmente lutam
para pagar as contas.
Assim, como era de se esperar, Pilkey tinha uma boa cota de inimigos. Isso era quase o oposto de não haver pistas. Tudo o que eu tinha lido era apenas a ponta do iceberg. Não encontrei nada que mencionasse ameaças específicas, mas as informações iam se empilhando e a lista de suspeitos seria infinita.
Uma coisa já estava clara: precisaríamos de uma equipe maior.