Fogo Cruzado

James Patterson · Capítulo 11 de 129

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Fogo Cruzado

capítulo 7

 

O CENÁRIO NA FRENTE DA Taberna del Alabardero era um verdadeiro zoológico quando chegamos. Aquele não tinha sido um atentado ou um assassinato comum. Não precisei nem sair do carro para ver isso. O rádio estava alardeando um atentado cometido a longa distância, por um atirador que ninguém tinha visto, efetuando disparos que ninguém tinha escutado.

E havia as vítimas. O congressista Victor Vinton estava morto, assim como Craig Pilkey, um conhecido lobista dos bancos que recentemente havia levado os dois às manchetes. Aqueles assassinatos eram um escândalo envolto em outro escândalo. A tranquilidade no Departamento de Homicídios já era.

As duas vítimas eram alvo de um inquérito federal sobre tráfico de influência a favor de instituições financeiras. Havia alegações de acordos por baixo dos panos, de financiamento de campanhas e de pessoas ficando ricas – ou mais ricas – de forma ilícita enquanto o número de cidadãos de classe média que perdiam suas casas aumentava como nunca se vira antes. Não era difícil imaginar alguém desejando a morte de Vinton e Pilkey. Muita gente devia desejar.

Mesmo assim, a motivação não era a primeira pergunta na minha mente nesse momento, e sim o método. Por que a arma de longa distância, e como alguém havia feito isso com tanta facilidade numa rua apinhada?

Os dois corpos estavam cobertos na calçada quando meu colega John Sampson e eu chegamos à frente do restaurante. A polícia do Capitólio já havia chegado, e o FBI estava a caminho. Em Washington, “alto nível” também significava “alta pressão”, e seria possível praticamente cortar com uma faca a tensão que crescia dentro daquele perímetro de fita amarela.

Encontramos outro dos nossos, Mark Grieco, do Terceiro Distrito, e ele nos colocou a par dos fatos. Com todo o barulho na rua, precisávamos gritar para ouvirmos uns aos outros.

– Temos quantas testemunhas? – perguntou Sampson.

– Pelo menos uma dúzia – disse Grieco. – Colocamos todas para dentro, cada uma mais surtada que a outra. Mas ninguém viu o atirador.

– E os tiros? – falei no ouvido de Grieco. – Sabemos de onde eles vieram?

Ele apontou por cima do meu ombro para a Rua 18.

– Bem de lá, acredite se quiser. O prédio está sendo isolado agora.

Na esquina norte da Rua K, a dois quarteirões de distância, havia um prédio que passava por algum tipo de reforma. Todos os andares estavam escuros, a não ser o último, onde eu podia vislumbrar pessoas se movendo.

– Você só pode estar brincando – disse eu. – A que distância fica aquilo?

– Duzentos e cinquenta metros, talvez mais – supôs Grieco. Nós três começamos a correr naquela direção.

– Você disse que foram tiros na cabeça? – perguntei enquanto estávamos a caminho. – Verdade?

– É – respondeu Grieco, sombrio. – Na mosca. Alguém sabia muito bem o que estava fazendo. Espero que não esteja mais por aí, vigiando a gente.

– Alguém com o equipamento certo também – falei. – Considerando a distância.

Com um silenciador, o atirador podia ter passado totalmente despercebido.

Ouvi Sampson dizer baixinho:

– Droga, já estou odiando isto.

Olhei de volta por cima do ombro. Àquela altura, não podia nem mais ver o restaurante, a não ser pelo reflexo das luzes vermelhas e azuis piscando nos prédios ao redor.

Aquele modus operandi – a distância do tiro, o ângulo impossível, os assassinatos em si (não somente um tiro perfeito, mas dois, num ambiente apinhado) – era muito audacioso. Acho que era para nos impressionar – em termos estritamente profissionais, eu me sentia meio perplexo.

Mas também sentia um pavor profundo na boca do estômago. Aquela sensação de que o mundo a qualquer momento poderia cair na minha cabeça... tinha acabado de virar realidade.