Fogo Cruzado
capítulo 10
NO MEIO DA MANHÃ , eu estava tendo uma conversa com Sid Dammler. Ele era um dos dois principais sócios da empresa de lobby Dammler-Mickelson, na Rua K. Craig Pilkey fora um dos seus profissionais mais talentosos, tendo angariado lucros no valor de 11 milhões de dólares no ano anterior. De um modo ou de outro, aquelas pessoas iriam sentir sua falta.
Até agora, o comentário oficial da empresa era que eles “não tinham conhecimento” de qualquer delito por parte de seus funcionários. Em Washington, essa declaração geralmente é o código para encobrir alguém sem ser encurralado pela lei.
No início, eu não tinha qualquer preconceito contra Dammler. Isso veio após 40 minutos esperando na recepção, e depois mais 20 ouvindo respostas monossilábicas e descomprometidas da parte dele, com uma cara de quem preferia estar fazendo um tratamento de canal – ou de quem realmente estava fazendo um tratamento de canal.
Pelo menos isso eu já havia sacado sozinho: antes de ser funcionário da D-M, Craig Pilkey, nascido em Topeka, Kansas, havia passado três períodos de dois anos cada no Congresso, onde ganhou a reputação de porta-voz do ramo bancário no Capitólio. Havia patrocinado ou copatrocinado nada menos do que 15 leis destinadas a aumentar os direitos dos concessores de empréstimos.
Segundo o site da D-M, a especialidade de Pilkey era ajudar empresas de serviços financeiros a “navegar através do governo federal”. Na ocasião de sua morte, seu maior cliente, de longe, era uma aliança de 12 bancos de porte médio de vários lugares do país, representando mais de 70 bilhões em ativos totais. Esses mesmos bancos fizeram as contribuições para a campanha do congressista Vinton, o outro morto, que haviam provocado o inquérito federal em curso.
– Por que está me dizendo tudo isso sobre Craig e a Dammler-Mickelson? – perguntou Sid Dammler. Até agora o sujeito não havia deixado claro se qualquer dessas informações era ou não novidade para ele.
– Porque, com o devido respeito, sou obrigado a imaginar que algumas pessoas lá fora vão ficar felizes com a morte de Pilkey – respondi.
Dammler pareceu profundamente ofendido.
– Esta é uma coisa horrível de dizer.
– Quem poderia querer matá-lo? O senhor faz alguma ideia? Sei que houve ameaças.
– Ninguém. Pelo amor de Deus!
– Acho difícil acreditar. O senhor não está nos ajudando a encontrar o assassino dele.
Dammler ficou de pé. O vermelho em seu rosto e no pescoço se destacava em contraste com o colarinho branco.
– Esta reunião está encerrada – decretou ele.
– Sente-se – respondi. – Por favor.
Esperei até que ele obedecesse.
– Sei que o senhor não quer dar mais espaço na mídia para os seus críticos do que eles já têm – continuei. – Esta é uma empresa de relações públicas, eu entendo. Mas não sou repórter do Post, Sid. Preciso saber quem eram os inimigos de Craig Pilkey. E não venha me dizer que ele não tinha nenhum.
Dammler se recostou na cadeira com as mãos na nuca. Parecia que estava esperando para ser algemado.
– Acho que você pode começar com algumas associações nacionais de proprietários de imóveis – disse, enfim. – Elas não eram exatamente fãs de Craig. – Ele suspirou e olhou para o relógio. – Além disso, há todo o grupo dos consumidores, os blogueiros malucos, o pessoal que vive mandando correspondências de ódio anônimas. É só escolher. Fale com Ralph Nader, já que está com a mão na massa.
Ignorei o sarcasmo.
– Alguma dessas informações é rastreada e guardada em algum lugar?
– Até onde dizem respeito aos nossos clientes, claro. Mas você precisaria de um mandado para que eu ao menos pensasse em colocá-lo na mesma sala com qualquer coisa dessas. É tudo particular, confidencial.
– Já esperava que o senhor dissesse isso – falei, e pus duas pilhas de documentos na mesa entre nós. – Um mandado para os arquivos, um para os e-mails. Gostaria de começar pela sala do Pilkey. O senhor pode me mostrar o caminho, ou eu posso achar sozinho.