Fogo Cruzado

James Patterson · Capítulo 47 de 129

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Fogo Cruzado

capítulo 43

 

SAÍ DO PÁTIO DA IGREJA uns 15 minutos depois e vi uma multidão de jornalistas parados dos dois lados do quarteirão.

Então vi Max Siegel. Pelo menos as costas dele.

Estava com uma dúzia de repórteres ou mais bloqueando a calçada e falando sem parar.

– Nossa Unidade Cibernética está rastreando todos os canais possíveis – dizia ele quando me aproximei –, mas estamos inclinados a acreditar que não é mais do que parece: um caso de laptop roubado.

– Com licença, agente Siegel. – Ele e todos os outros se viraram, até que eu estava com a cara cheia de microfones e câmeras. – Poderíamos trocar uma palavrinha, por favor?

Ele riu de orelha a orelha.

– Claro. Com licença, pessoal.

Voltei para o pátio da igreja e esperei que ele me seguisse. Pelo menos ali teríamos alguma privacidade.

– O que é, Cross? – perguntou ele quando chegou.

Dei as costas para a imprensa e mantive a voz baixa.

– Você precisa ter mais cuidado com as pessoas com quem fala.

– O que você quer dizer exatamente? – perguntou ele. – Não entendi.

– Quero dizer que conheço Washington melhor do que você, e conheço metade das pessoas ali na calçada. Stu Collins? Ele quer ser o próximo fenômeno do jornalismo e tem tudo para isso, menos o talento. Ele vai colocar palavras na sua boca. E Shelly Não-sei-das-quantas, com o microfone vermelho enorme? Ela mete o pau no FBI sempre que tem chance. Nós já tivemos um vazamento que não poderíamos ter. Não quero correr o risco de outros, e você?

Ele me olhou como se eu estivesse falando grego. Depois outra coisa me veio à cabeça.

– Ah, meu Deus. Por favor, diga que não foi você que falou com a imprensa sobre os tais veículos em Woodley Park. – Encarei-o. – Diga que estou enganado, Siegel.

– Você está enganado – respondeu ele de imediato. Depois deu um passo na minha direção e baixou a voz. – Não me acuse de coisas que não sabe, detetive. Estou avisando...

– Cale a boca! – gritei para ele, tanto pelo “avisando” quanto por ele ter passado por cima de mim. Eu já estava cheio daquela merda.

Mesmo assim, na mesma hora lamentei ter gritado. Todo o corpo da mídia estava nos olhando da calçada. Respirei fundo e tentei de novo:

– Escute, Max...

– Me dê algum crédito, Alex – disse ele, dando um passo para trás a fim de se distanciar um pouco de mim. – Não sou exatamente um novato. Bem, vou levar em consideração o que você disse, mas você precisa deixar que eu faça o meu trabalho, assim como eu deixo você fazer o seu.

Ele até sorriu e me estendeu a mão, como se estivesse tentando acalmar a situação e não manipulá-la. Com todo mundo olhando, fui em frente e apertei-a, mas minhas primeiras impressões sobre Siegel não haviam mudado nem um pouco. Ele era um agente que tinha um grande defeito: um ego gigantesco, e infelizmente eu não podia fazer muita coisa para controlá-lo.

– Só seja cuidadoso – recomendei.

– Eu sempre sou cuidadoso. Cuidadoso é o meu apelido.