Fogo Cruzado
capítulo 43
SAÍ DO PÁTIO DA IGREJA uns 15 minutos depois e vi uma multidão de jornalistas parados dos dois lados do quarteirão.
Então vi Max Siegel. Pelo menos as costas dele.
Estava com uma dúzia de repórteres ou mais bloqueando a calçada e falando sem parar.
– Nossa Unidade Cibernética está rastreando todos os canais possíveis – dizia ele quando me aproximei –, mas estamos inclinados a acreditar que não é mais do que parece: um caso de laptop roubado.
– Com licença, agente Siegel. – Ele e todos os outros se viraram, até que eu estava com a cara cheia de microfones e câmeras. – Poderíamos trocar uma palavrinha, por favor?
Ele riu de orelha a orelha.
– Claro. Com licença, pessoal.
Voltei para o pátio da igreja e esperei que ele me seguisse. Pelo menos ali teríamos alguma privacidade.
– O que é, Cross? – perguntou ele quando chegou.
Dei as costas para a imprensa e mantive a voz baixa.
– Você precisa ter mais cuidado com as pessoas com quem fala.
– O que você quer dizer exatamente? – perguntou ele. – Não entendi.
– Quero dizer que conheço Washington melhor do que você, e conheço metade das pessoas ali na calçada. Stu Collins? Ele quer ser o próximo fenômeno do jornalismo e tem tudo para isso, menos o talento. Ele vai colocar palavras na sua boca. E Shelly Não-sei-das-quantas, com o microfone vermelho enorme? Ela mete o pau no FBI sempre que tem chance. Nós já tivemos um vazamento que não poderíamos ter. Não quero correr o risco de outros, e você?
Ele me olhou como se eu estivesse falando grego. Depois outra coisa me veio à cabeça.
– Ah, meu Deus. Por favor, diga que não foi você que falou com a imprensa sobre os tais veículos em Woodley Park. – Encarei-o. – Diga que estou enganado, Siegel.
– Você está enganado – respondeu ele de imediato. Depois deu um passo na minha direção e baixou a voz. – Não me acuse de coisas que não sabe, detetive. Estou avisando...
– Cale a boca! – gritei para ele, tanto pelo “avisando” quanto por ele ter passado por cima de mim. Eu já estava cheio daquela merda.
Mesmo assim, na mesma hora lamentei ter gritado. Todo o corpo da mídia estava nos olhando da calçada. Respirei fundo e tentei de novo:
– Escute, Max...
– Me dê algum crédito, Alex – disse ele, dando um passo para trás a fim de se distanciar um pouco de mim. – Não sou exatamente um novato. Bem, vou levar em consideração o que você disse, mas você precisa deixar que eu faça o meu trabalho, assim como eu deixo você fazer o seu.
Ele até sorriu e me estendeu a mão, como se estivesse tentando acalmar a situação e não manipulá-la. Com todo mundo olhando, fui em frente e apertei-a, mas minhas primeiras impressões sobre Siegel não haviam mudado nem um pouco. Ele era um agente que tinha um grande defeito: um ego gigantesco, e infelizmente eu não podia fazer muita coisa para controlá-lo.
– Só seja cuidadoso – recomendei.
– Eu sempre sou cuidadoso. Cuidadoso é o meu apelido.