Fogo Cruzado
capítulo 41
ao povo de washington –
tem raposas no galinheiro. elas aparecem de noite quando ninguém tá
olhando e levam o que não é delas. depois elas engordam comendo o que roubaram enquanto um monte de gente passa fome, fica doente e às vezes até morre.
só tem um jeito de lidar com as raposas. a gente não negocia e não tenta
entender elas. a gente espera até elas aparecerem onde a gente tá escondido e aí a gente enfia uma bala na cabeça delas. estudos mostram que as raposas mortas têm 100 por cento menos possibilidade de roubar a gente, rá-rá.
vinton pilkey dlouhy downey são só o começo. tem muito mais raposas
no lugar de onde eles vieram. elas estão no nosso governo, na nossa imprensa, nas nossas escolas, em igrejas, nos serviços militares, em wall street, em todo canto. e estão arruinando este país. alguém pode negar isso?
todas as raposas aí, escutem. a gente vai atrás de vocês. a gente vai
caçar vocês e matar vocês antes que vocês possam causar mais danos ainda. mudem de vida agora ou paguem o preço.
deus abençoe os estados unidos da américa!
assinado, um patriota
Colleen empurrou a cadeira rapidamente para longe do computador.
– “Um patriota?” Isso é sério?
– Engraçado você perguntar – disse o estagiário, abrindo um segundo e-mail. – Bem, na verdade não é engraçado, mas... saca só.
p.s. para o true press: podem dizer à polícia de washington que isso não
é piada. a gente deixou uma digital na estátua do leão no memorial da lei, perto da rua d. é igual à que eles acharam antes.
Colleen girou de volta para sua mesa.
– Quer que eu ligue para a polícia? – perguntou o estagiário.
– Não. Eu faço isso. Fale com a gráfica. Diga que vamos atrasar um ou dois dias e que desta vez a tiragem vai ser de 20 mil exemplares. Vamos imprimir mais mil do número da semana passada para nos segurar até lá.
– Vinte mil?
– Isso. E se algum dos vendedores perguntar, diga que a espera vai valer a pena. – Pela primeira vez naquele dia, Colleen estava sorrindo. – Todos eles vão comer um pouquinho melhor esta semana.