Fogo Cruzado

James Patterson · Capítulo 49 de 129

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Fogo Cruzado

capítulo 45

 

FICARAM NUMA ÁREA EM OBRAS perto do Logan Circle e ao anoitecer seus bolsos estavam estufados com notas de um dólar e moedas, e a pilha de jornais havia sumido.

O dinheiro extra lhes garantiu dois belos sanduíches de filé com queijo, meia garrafa de uísque, um maço de cigarros para cada, dois baseados de um cara que eles conheciam na Farragut Square e, o melhor de tudo, um pernoite num hotel barato na Avenida Rhode Island.

Danny levou o velho aparelho de som que estava no carro. Não tinha pilhas, mas eles podiam ligá-lo na tomada e ter um pouco de música para a pequena comemoração.

Era bacana simplesmente se deitar num colchão de verdade para variar, ficar doidão sem se preocupar com o toque de recolher ou com quem poderia estar roubando suas coisas no meio da noite.

Quando uma velha música do Lynyrd Skynyrd tocou no rádio, Denny aguçou os ouvidos. Era muito antiga; Mitch provavelmente nem conhecia aquela.

“Porque agora sou livre como um pássaro...”

– Ouviu isso, Mitchie? Preste atenção na letra. É isso aí.

– O quê, Denny?

– Liberdade, malandro. É a diferença entre a gente e os sacanas que a gente andou apagando. Você acha que aquele pessoal é livre? Nãão, de jeito nenhum. Eles nem limpam a porcaria do nariz sem antes verificar com algum comitê todos os detalhes estúpidos. Isso não é liberdade. É uma porra de corda em volta do pescoço.

– E um alvo na bunda! – Mitch começou a rir como um menininho. Estava definitivamente doidão. Seus olhos pareciam duas bolas de gude cor-de-rosa, e além disso ele havia engolido a maior parte do uísque.

– É isso aí, cara. Bebe – disse Denny, entregando-lhe a garrafa de novo. Depois se deitou e ficou só ouvindo Lynyrd Skynyrd durante um tempo, contando rachaduras no teto, até que Mitch começou a roncar. – Ei, Mitchie?

Não houve resposta. Denny se levantou e cutucou-o no ombro.

– Apagou, malandro? Parece que sim. Pelo som...

Mitch rolou para o outro lado e continuou roncando, agora um pouco mais alto.

– Tudo bem. O Denny tem uma coisinha pra fazer. Durma bem, malandro.

Denny calçou de novo suas botas pretas de motoqueiro, pegou a chave do quarto e um segundo depois já havia saído.