Fogo Cruzado
capítulo 16
EU ESTAVA AGUARDANDO BREE do lado de fora da Penn Branch quando acabou o expediente dela naquela tarde. Mal podia esperar para vê-la e quando ela enfim saiu do prédio eu abri um sorriso enorme.
– Que bela surpresa! – disse ela, e me deu um beijo. Tínhamos desistido de tentar estabelecer um limite para esse tipo de coisa no trabalho. – A que devo o prazer? Isso é uma maravilha.
– Nada de perguntas – respondi e abri a porta do carro para ela.– Quero mostrar algo.
Eu já vinha planejando isso havia algum tempo, e ainda que as tarefas estivessem começando a se amontoar de novo, eu era teimoso demais para desistir da minha trama. Dirigi o carro pela North Capitol até Michigan e depois até a margem do campus da Universidade Católica, onde parei.
– Hã... Alex? – Bree olhou pelo para-brisa. E quase diretamente para cima . – Quando nós falamos em casar numa cerimônia pequena, acho que eu deveria ter sido um pouco mais específica.
A Basílica do Templo Nacional da Imaculada Conceição é uma das 10 maiores igrejas do mundo e, na minha opinião, a mais linda de Washington, talvez de todo o país.
– Não se preocupe. Só estamos de passagem. Venha.
– Tudo bem, Alex. Acho.
A arquitetura românico-bizantina dentro daquelas paredes é quase esmagadora, mas o ambiente também é incrivelmente pacífico. Os arcos altíssimos fazem com que nos sintamos minúsculos, enquanto os milhões de pequeninos ladrilhos dourados dos mosaicos artísticos preenchem cada canto com uma espécie de luz âmbar que nunca vi em qualquer outro lugar.
Peguei a mão de Bree e a conduzi a um dos corredores laterais, passei pelo transepto e entrei na ampla área ao fundo. O lugar é cercado, atrás, por uma fileira de vitrais em arco e na frente se abre para toda a extensão da catedral.
– Bree, posso pegar seu anel emprestado um instante? – perguntei.
– Meu anel?
Ela sorriu, meio confusa, mas mesmo assim me entregou a joia. Então me apoiei num dos joelhos e segurei sua mão de novo.
– Isso é um pedido? – perguntou ela. – Porque tenho uma novidadezinha para você, meu amor. Eu já aceitei.
– Na frente de Deus, então – falei e respirei fundo, porque de repente percebi que estava meio nervoso. – Bree, eu não precisava de você antes de nos conhecermos. Achava que estava numa boa. Eu estava numa boa. Mas agora... você está aqui e só me resta pensar que é por algum motivo. – Eu não havia ensaiado nenhum discurso e parecia tropeçar nas palavras, isso sem falar do nó na garganta. – Você me faz acreditar, Bree. Não sei se consigo explicar o que isso significa para alguém como eu, mas espero que você me deixe passar o resto da vida tentando. Brianna Leigh Stone, quer se casar comigo?
Ela ainda estava sorrindo, mas agora eu podia vê-la lutando contra as lágrimas. Mesmo ali, Bree tentava permanecer forte.
– Você sabe que é meio maluco, não sabe? – perguntou ela.
– “Se amar você é errado” – cantarolei baixinho –, “não quero estar certo.”
– Está bem, está bem, qualquer coisa, menos cantar – disse ela, e nós dois rimos como duas crianças fazendo bagunça na biblioteca. Mas era um riso em meio a lágrimas para nós dois.
Bree se ajoelhou junto comigo, pousou a mão suavemente sobre a minha e enfiou o anel de noivado de novo no dedo. Quando me beijou de leve nos lábios senti um calor, e um tremor, descendo pela minha coluna.
– Alexander Joseph Cross, não importa quantas vezes você me pedir em casamento: a resposta é sim. Sempre foi, sempre será.