Fogo Cruzado

James Patterson · Capítulo 106 de 129

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Fogo Cruzado

capítulo 102

 

ATÉ LEVEI CAFÉ.

Siegel também levou um pouco, então havia bastante cafeína disponível. Estacionamos um Crown Vic do FBI na Rua 12, entre a M e a N. Era um quarteirão estreito, ladeado de árvores, com diversas obras acontecendo, mas não no Edifício Midlands. Ali ficava a casa de Frances Moulton, assim como – se estivéssemos na pista certa – o endereço de Steven Hennessey.

O apartamento em questão ficava no oitavo piso de um prédio de 10 andares, com duas janelas grandes viradas para a rua. Ambas estavam escuras quando chegamos. Max e eu nos acomodamos para a longa espera.

Assim que dissemos tudo o que havia a dizer sobre o caso, a situação ficou meio incômoda – longos silêncios se instaurando. Porém finalmente a conversa engrenou de novo. Siegel me lançou uma bola fácil, o tipo de coisa que os caras do FBI perguntam quando não têm algo melhor a dizer.

– E aí, por que você entrou para a polícia? Se é que não se incomoda com a pergunta.

Sorri, olhando para baixo. Ele estava se esforçando demais para bancar o amiguinho, isso para dizer o mínimo.

– Não consegui nada em Hollywood. Nem no basquete profissional – respondi na maior cara de pau. – E você?

– Você sabe. Viagens exóticas. Diversão garantida.

Pela primeira vez ele me arrancou uma gargalhada. Antes de vir, eu havia decidido que não iria ficar sentado ali odiando-o a noite toda. Seria uma tortura.

– Vou lhe contar uma coisa – disse ele. – Se as coisas tivessem sido diferentes, acho que eu poderia ser um bandido excelente, também.

– Deixe-me adivinhar. Você tem o assassinato perfeito na cabeça.

– Você não tem? – perguntou Siegel.

– Sem comentários. – Abri a tampa do meu segundo copo de café. – Mas a maioria dos policiais tem. O crime perfeito, pelo menos.

Depois de outra pausa longa, ele disse:

– Digamos que você pudesse matar alguém, alguém que realmente merecesse, e soubesse que poderia se livrar da condenação. Ficaria dividido?

– Não – respondi. – Na minha opinião essa situação é muito complicada. Já pensei nisso.

– Qual é! – Siegel gargalhou e se recostou na porta do carro para me olhar. – Digamos que você e Kyle Craig estivessem sozinhos num beco escuro. Sem testemunhas. Ele está sem munição e você ainda tem a sua Glock. Está dizendo que não puxaria o gatilho primeiro e faria perguntas depois?

– Isso mesmo – falei. A referência a Kyle era meio esquisita, mas deixei para lá. – Eu poderia sentir vontade de matá-lo, mas não faria isso. Iria prendê-lo. Adoraria levá-lo de volta para a penitenciária de segurança máxima de Florence.

Ele me olhou, rindo como se estivesse esperando que eu mostrasse algum sinal de indecisão.

– Sério? – perguntou.

– Sério.

– Não sei se acredito em você.

Dei de ombros.

– O que você quer que eu diga?

– Que você é um ser humano. Qual é, Alex? Você não pode se dar bem nesse negócio sem ao menos um passeiozinho pelo lado negro.

– Sem dúvida – falei. – Já estou careca de saber disso. Só estou dizendo que não puxaria o gatilho. – Se era verdade ou não, eu não tinha certeza. Só não queria entrar nesse papo com Siegel.

– Interessante. – Ele se virou de novo para olhar a porta da frente do Midlands. – Muito interessante.