Fogo Cruzado

James Patterson · Capítulo 26 de 129

Páginas do PDF

Fogo Cruzado

capítulo 22

 

OS IMBECIS AINDA COMANDAVAM o FBI, ao menos era o que parecia. Pelo que Kyle Craig podia ver, ninguém havia nem piscado quando o recém-interrogado e recém-reincorporado agente Siegel conseguiu ser designado para o caso do atirador de elite em Washington. O período que Siegel tinha passado em Medellín, na Colômbia, na época em que o lugar era a “capital mundial dos assassinatos”, era digno de nota e servia como um impressionante cartão de visita. Eles tinham sorte de tê-lo neste caso.

Mais do que imaginavam – dois agentes pelo preço de um! Sentou-se à sua mesa nova no escritório de campo, olhando para o crachá que havia recebido naquela manhã. A cara de Max Siegel o encarava de volta. Ainda sentia um barato vendo aquilo – de certa forma ainda esperava ver o velho Kyle sempre que passava diante de um espelho.

– Deve ser estranho.

Levantou os olhos e viu um dos outros agentes parado, olhando por cima da divisória do cubículo. Era o Agente Não-sei-das-quantas, que todo mundo chamava de Scooter, com seus olhos ansiosos e sempre beliscando coisas doces.

Kyle enfiou o crachá de volta no bolso.

– Estranho?

– Voltar ao trabalho de campo. Depois de todo esse tempo.

– Miami era trabalho de campo – disse Kyle, salpicando a fala com uma pitada da atitude e do sotaque nova-iorquino de Siegel.

– Claro. Não quis insinuar nada – disse Não-sei-das-quantas. Kyle só o encarou e deixou o incômodo permanecer como um painel de vidro entre eles. – Certo, bom... precisa de alguma coisa antes de eu ir embora?

– De você?

– Bem, é.

– Não, obrigado, Scooter. Está tudo certo.

Max Siegel seria antissocial. Kyle havia decidido isso antes de chegar. Que os outros agentes ficassem arrulhando em cima de fotos de bebês e compartilhassem pipoca de micro-ondas na sala de descanso. Quanto mais espaço lhe dessem por ali, mais ele poderia fazer e mais seguro ficaria seu disfarce.

Por isso gostava tanto das horas extras. Já havia passado a maior parte da noite anterior no escritório, sugando tudo o que havia para saber sobre os tiros na Rua 18. Esta noite concentrou-se em fotos da cena do crime e em tudo o que tinha a ver com os métodos do atirador. Seu perfil estava se delineando lindamente.

Algumas palavras ficavam vindo-lhe à cabeça enquanto ele trabalhava. “Limpo.”

“Imparcial.” “Profissional.” Não houvera nenhum cartão de visitas especial por parte do assassino e nenhuma jogada do gênero “venham me pegar” que costuma ser vista nesse tipo de caso. Tinha sido quase asséptico: homicídio cometido a 239 metros, o que era um tédio total na opinião de Kyle, mesmo que o assassino tivesse conseguido alcançar seu objetivo com bastante elegância.

Trabalhou durante várias horas, chegando a perder a noção do tempo, até que um telefone tocando em algum lugar rompeu o silêncio do escritório. Kyle não deu muita atenção a isso, mas então sua própria linha tocou um minuto depois.

– Agente Siegel – atendeu ele com uma voz simpática, ainda que seu rosto estivesse sério.

– Aqui é Jamieson, das Comunicações. Temos um relatório de homicídio da Polícia Metropolitana. Parece que houve outro ataque do atirador de elite, desta vez nas imediações de Woodley Park.

Kyle não hesitou. Levantou-se e vestiu o paletó.

– Para onde devo ir? – perguntou. – Exatamente onde?

Alguns minutos depois estava saindo do estacionamento e dirigindo pela Avenida Massachusetts a 95 quilômetros por hora. Quanto antes chegasse lá, mais cedo poderia dispensar a Polícia Metropolitana, que sem dúvida estava estragando sua cena de crime neste exato momento.

E, mais importante – senhoras e senhores, que rufem os tambores –, este era o momento que estivera esperando. Com sorte, era a hora de Alex Cross e Max Siegel se encontrarem.