Tachdjian Procedimentos Ortopédicos Pediátricos
Técnica Operatória
A, É feita uma incisão supraclavicular curvilínea 2 cm acima da clavícula
alinhada com as pregas cutâneas do pescoço e centralizada sobre a
porção média da clavícula. É melhor fazer a incisão cutânea com o
pescoço em leve flexão (não em hiperextensão). O tecido subcutâneo é
dividido em linha com a incisão cutânea e a ferida cirúrgica é puxada
para baixo diretamente acima da clavícula.
B, A fáscia profunda é seccionada; as veias superficiais são clampeadas e
coaguladas. O periósteo da clavícula é dividido longitudinalmente na
sua face anterior e, com um elevador de periósteo, é cuidadosamente
elevado circunferencialmente em torno da clavícula. Dois elevadores
Chandler menores são colocados profundamente para proteger os vasos
subclaviculares e o plexo braquial.
C, Com um cortador ósseo ou uma serra elétrica oscilante, a clavícula é
seccionada em um ou dois lugares com seu córtex posteroinferior
deixado intacto (se forem usados dois locais, deve haver uma distância
de 3 cm entre eles). Com cuidado, é produzida uma fratura em galho
verde da clavícula. O periósteo é fechado. A pele é fechada com sutura
subcuticular em chuleio. Não é recomendada a morcelação da clavícula.
Em um paciente mais velho, a incisão pode ser estendida lateralmente
para que a ponta do processo coracoide e as origens da parte curta dos músculos bíceps braquial e coracobraquial fiquem expostas. A ponta cartilaginosa do processo coracoide é seccionada e a ferida cirúrgica é fechada como já descrito. Em uma criança acima de 10 anos, a finalidade desta etapa é evitar a compressão do feixe neurovascular contra a costela.
D, O paciente é virado para a posição prona com a cabeça e o pescoço
estendendo-se para fora da mesa cirúrgica e colocados sobre um apoio
de cabeça. A parte do queixo do apoio de cabeça deve ser bem
acolchoada e, durante o procedimento, o anestesiologista deverá
frequentemente verificar o queixo quanto a áreas de pressão. Prender as
nádegas na mesa de operação com fita adesiva de 5 a 7,5 cm de largura
evitará que o paciente escorregue em direção caudal. Devem ser
tomadas as precauções para que seja mantida a esterilidade do campo
operatório. Primeiramente, a borda vertebral, o nível do ângulo inferior
e a espinha da escápula elevada e da escápula oposta normal são
palpados e marcados com tinta indelével. É feita uma incisão cutânea na
linha média começando no processo espinhoso da quarta vértebra
cervical e estendendo-se distalmente até o processo espinhoso da 10ª
vértebra dorsal (C4 a T10).
E, A pele e o tecido subcutâneo são divididos em linha com a incisão
cutânea e é criado um plano entre o tecido subcutâneo e a fáscia
subjacente ao músculo trapézio. A dissecção é estendida lateralmente
para expor a espinha da escápula. Em seguida, a margem inferior do
músculo trapézio, que se estende obliquamente para cima e lateralmente
à espinha da escápula, é isolada. Sua borda lateral livre é mobilizada e
retraída proximal e medialmente. A inserção de todo o músculo trapézio
(partes superior, média e inferior) na espinha escapular é seccionada,
elevada extraperiostealmente e marcada com sutura Mersilene 2-0.
Inferiormente, as fibras inferiores do trapézio são separadas do músculo
grande dorsal subjacente com tesouras Metzenbaum.
F, O músculo trapézio separado é refletido medialmente para expor os
músculos e a escápula subjacentes. O nervo acessório espinhal, que é o
nervo motor do trapézio, não deve ser lesionado.
G e H, O músculo supraespinhal é separado da escápula
extraperiostealmente para a incisura escapular maior. A artéria escapular
transversa e o nervo e os vasos supraescapulares devem ser
identificados e protegidos na parte lateral da ferida cirúrgica quando
penetrarem na fossa infraespinhal e passarem através da incisura
escapular maior.
I, A barra omovertebral (óssea, cartilaginosa ou fibrosa) é extirpada
primeiramente seccionando-a na extremidade escapular com um
cortador ósseo e, depois, cuidadosamente separando sua conexão com a
vértebra cervical. No nível cervical, ela pode estar ligada ao processo
espinhoso, à lâmina ou ao processo transverso de uma das vértebras
cervicais inferiores (quarta a sétima).
J, A inserção do músculo levantador da escápula no ângulo superior da
escápula e as inserções dos músculos romboides maior e menor na
borda medial da escápula são extraperiostealmente dissecadas, divididas
e retraídas, e suas extremidades livres são marcadas com sutura
Mersilene 2-0.
K, A margem superior da escápula é retraída posteriormente e, iniciando
medialmente, a parte supraespinhal do músculo subescapular é elevada
extraperiostealmente da superfície anterior da escápula.
L, Em seguida, uma sonda de estafilorrafia é colocada na incisura
escapular para proteger os nervos e os vasos supraescapulares e, com
um cortador ósseo ou um osteótomo, a parte supraespinhal da escápula,
juntamente com seu periósteo, é extirpada. (Atualmente, este autor
preserva a anatomia normal da escápula, pois muitas vezes sua porção
supraespinhal encontra-se inclinada anteriormente na direção da caixa
torácica, quando se produz uma fratura em galho verde e a parte
inclinada é elevada.)
M, As conexões do músculo grande dorsal com a escápula são divididas
extraperiostealmente e, com uma dissecção romba, é criada uma grande
bolsa localizada profundamente na parte superior do músculo grande
dorsal.
N, A borda medial da escápula é virada retraindo-a posteriormente e
lateralmente, e as inserções do músculo serrátil anterior com a margem
vertebral e com o ângulo da escápula são liberadas extraperiostealmente
e marcadas com sutura Mersilene 2-0.
O, Grossas faixas fibrosas podem conectar a escápula à parede torácica.
Elas devem ser separadas para mobilizar a escápula para que ela possa
ser suficientemente deslocada distalmente.
P, A seguir, por pressão direta e sem tração no braço, a escápula é
cuidadosamente deslocada distalmente para a posição desejada. A
possibilidade de distensão e danos ao plexo braquial deve ser sempre
considerada; portanto, devem ser evitadas manipulações vigorosas. O
ângulo inferior e o quarto distal da escápula devem estar na grande
bolsa localizada profundamente na parte superior do músculo grande
dorsal.
Q, Na ocorrência de discinesia escapular, o polo inferior da escápula é
ligado à costela adjacente com duas ou três suturas absorvíveis. Caso os
músculos romboides e outros músculos escapulocostais estejam
hipoplásicos ou fibróticos e caso seja observada discinesia escapular,
este autor recomenda que a escápula seja presa à caixa torácica em uma
posição mais baixa e girada lateralmente. A discinesia será corrigida e a
posição fixa com rotação lateral da escápula permitirá que o paciente
faça abdução total do ombro na articulação glenoumeral.
R, Em seguida, enquanto o assistente segura a escápula na sua posição
abaixada, os músculos divididos e marcados são novamente fixados na
seguinte ordem: (1) o supraespinhal à base da espinha escapular, (2) o
subescapular à borda vertebral, e (3) o serrátil anterior à borda vertebral
em um nível mais proximal do que sua posição original.
S, (4) O músculo levantador da escápula, alongado se necessário, é fixado
à borda superior da escápula. (5) Os romboides são fixados à borda
medial da escápula em um local mais proximal do que sua posição
original.
T, (6) A parte superior do trapézio é novamente fixada à espinha escapular
a cerca de 4 cm medialmente em relação à sua posição original. (7) A
parte inferior do trapézio é fixada à espinha da escápula mais
lateralmente e proximalmente do que antes. (8) A borda superior do
grande dorsal é fixada à borda inferolateral da parte inferior
lateralmente avançada do trapézio. Na parte distal da incisão, a origem
da parte inferior do trapézio é seguida, o tecido em excesso é removido,
e as bordas musculares livres são superpostas e suturadas. O aumento da
tensão nessa parte do músculo servirá como uma medida adicional para