Tachdjian Procedimentos Ortopédicos Pediátricos
Procedimento 33: Artrodese Tríplice
P R O C E D I M E N
T O 3 3
Artrodese Tríplice
Técnica Operatória
Um torniquete pneumático é colocado sobre a face proximal da coxa, e o paciente é posicionado no sentido semilateral com um grande saco de areia sob o quadril do lado afetado.
A, Uma incisão curvilínea centrada ao longo do seio do tarso é feita.
Inicia-se com a largura de um dedo distal e posteriormente à ponta do
maléolo lateral e se estende nos sentidos anterior e distal para a base do
segundo metatarso.
B, Não devem ser desenvolvidos retalhos de pele. A incisão é realizada no
assoalho do seio do tarso. Por meio de uma dissecção afiada com bisturi
e elevador periosteal, o periósteo do calcâneo, o conteúdo de tecido
adiposo do seio do tarso, e a origem tendinosa do extensor curto dos
dedos são elevados em uma massa a partir do calcâneo e da face lateral
do colo do tálus e retraídos no sentido distal. É essencial fornecer um
tecido mole viável pedicular para obliterar o espaço morto remanescente
no final da operação.
Em seguida, é feita uma incisão no sentido superior sobre o periósteo do
tálus, e a cabeça e o colo do tálus são cuidadosamente expostos. A aba superior da pele, o tecido subcutâneo e o periósteo devem ser mantidos tão grossos quanto possível para evitar uma necrose. Suturas de tração são colocadas sobre o periósteo. Em nenhum momento as bordas da pele são retraídas. Não é necessário dividir os tendões fibulares ou suas bainhas. Por meio de uma dissecção subperiosteal, os tendões fibulares são retraídos no sentido posterior para expor a articulação subtalar.
C e D, As cápsulas das articulações calcaneocuboide, talonavicular e
subtalar são incisadas. Estas articulações são abertas e suas superfícies
cartilaginosas, claramente visualizadas rodando-se o pé para a posição
varo. Uma lâmina espalhadora colocada no seio do tarso ajudará na
exposição da articulação subtalar posterior. Antes da excisão das
superfícies cartilaginosas articulares, o cirurgião deve avaliar a
deformidade do pé e decidir sobre as cunhas dos ossos que serão
removidas para a correção da deformidade. Após a artrodese tríplice,
devem ser sempre mantidas em mente a circulação do tálus e as
complicações da necrose avascular do tálus e da artrite do tornozelo. A
altura do pé é outra consideração. Um maléolo lateral baixo causa
dificuldades para usar sapatos. Às vezes é melhor adicionar um enxerto
ósseo em vez da ressecção das cunhas do osso. Com um osteótomo
afiado, as superfícies cartilaginosas da articulação calcaneocuboide são
excisadas. Após a superfície da cartilagem da articulação talonavicular
ser exposta, o plano da osteotomia deve ser perpendicular ao eixo
longitudinal do colo do tálus e paralelo à articulação calcaneocuboide.
Quando o bico do navicular está indevidamente proeminente no sentido
medial ou quando, em um pé varo, não se pode obter uma exposição
adequada da articulação talonavicular sem retração excessiva, uma
segunda incisão dorsomedial pode ser usada para expor a articulação
talonavicular.
E a H, Com uma lâmina espalhadora no seio do tarso, a articulação
subtalar é amplamente exposta e a cartilagem das articulações anterior e
posterior é excisada. O cirurgião deve ter em mente as estruturas
neurovasculares atrás do maléolo medial. As cunhas dos ossos que
devem ser removidas para corrigir a deformidade são excisadas em uma
massa com a cartilagem articular. É de grande ajuda deixar o osteótomo
usado na superfície articular oposta no lugar e mantido constante pelo
assistente enquanto um segundo osteótomo ou goiva é usado para tirar a
cartilagem contígua e o osso. As superfícies articulares retiradas para a
artrodese são como escamas de peixe para o contato máximo do osso
esponjoso bruto.
A pele é fechada com suturas interrompidas. Um gesso de perna longa
bem moldado é aplicado com o pé mantido na posição desejada. Nós não consideramos necessária a fixação das articulações por grampos e não a recomendamos. Na estabilização do pé em crianças com paralisia cerebral, especialmente na criança gravemente atetoide ou espástica, os fios de Kirschner cruzados seguros são usados para manter a posição. Estes fios são removidos em 6 a 8 semanas.
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