Tachdjian Procedimentos Ortopédicos Pediátricos
Procedimento 3: Redução Aberta do Deslocamento no Desenvolvimento do Quadril por meio da Abordagem Anterolateral
P R O C E D I M E N
T O 3
Redução Aberta do Deslocamento
no Desenvolvimento do Quadril
por meio da Abordagem
Anterolateral
Técnica Operatória
A, O paciente é colocado em decúbito dorsal com um rolo sob o quadril.
Todo o membro inferior e a parte afetada da pelve são preparados e
campeados para permitir o movimento livre do quadril.
A incisão na pele é uma incisão oblíqua “em forma de biquíni”. A incisão
usada anteriormente sobre a crista ilíaca produz uma cicatriz feia, enquanto a incisão em forma de biquíni proporciona excelentes exposição e cosmética. A espinha ilíaca inferior anterior é palpada e marcada. A incisão começa aproximadamente a dois terços de distância do trocânter maior em direção à crista ilíaca, cruza a coluna vertebral inferior, e prolonga-se 1 ou 2 cm além da coluna vertebral inferior.
B, A incisão é, então, retraída ao longo da crista ilíaca, e a dissecção é
realizada até a apófise da crista.
C, Anteriormente, o intervalo entre os músculos tensor e sartório é
dissecado de forma romba começando distalmente e avançando
proximalmente. O nervo cutâneo femoral lateral aparece apenas
medialmente a este intervalo e imediatamente distal à espinha ilíaca
inferior, e deve ser protegido. O intervalo é ampliado com uma
dissecção romba, e o músculo reto femoral é identificado conforme ele
se insere na espinha ilíaca anteroinferior.
D, A apófise ilíaca é agora dividida com um bisturi ou cauterizador até o
osso da crista. Com a ajuda dos elevadores periosteais, a crista ilíaca é
exposta subperiostealmente. O cirurgião deve ter o cuidado de manter o
periósteo intacto porque ele protege os músculos ilíacos e evita o
sangramento. Os pontos de sangramento sobre as asas ilíacas devem ser
controlados com cera óssea, mesmo que tais pontos pareçam ser
pequenos. Uma ferida seca torna os passos subsequentes deste processo
mais fáceis. Além disso a dissecção subperiosteal libera o sartório
medialmente e o tensor lateralmente, expondo, assim, o reto femoral
que surge a partir da espinha inferior anterior.
E, O músculo reto femoral é elevado a partir da cápsula do quadril, e as
cabeças reta e refletida são identificadas, etiquetadas e seccionadas. Em
primeiro lugar, a cápsula do quadril é exposta lateralmente com o
auxílio de um elevador periosteal para liberar os anexos musculares da
cápsula. Em seguida, a porção média da cápsula é exposta, de novo
usando um elevador periosteal para dissecar entre a cápsula e o tendão
iliopsoas. Flexionar o quadril relaxa o iliopsoas e ajuda com a obtenção
de exposição medial. A cápsula debaixo do iliopsoas é exposta, e é
necessária uma forte retração medial com retratores do tipo Army-Navy
para acessar o acetábulo verdadeiro.
F, Se o tendão do iliopsoas não puder ser retraído, ele pode precisar ser
seccionado.
G, Quando a exposição medial é adequada, a cápsula é aberta com uma
lâmina de bisturi. Uma pinça hemostática é inserida na cápsula, e esta é
aberta sobre o instrumento e paralelamente à margem acetabular
deixando-se uma margem de 5 mm de cápsula. Esta incisão deve se
estender medialmente por todo o caminho até o ligamento acetabular
transversal e lateralmente acima do trocânter maior. Uma segunda
incisão capsular é feita abaixo do colo do fêmur para formar um T.
H, As bordas da cápsula são presas com pinças de Kocher, e uma sonda
romba é inserida para visualizar o acetábulo. O quadril deve ser
flexionado e externamente girado para abrir o acetábulo. O ligamento
redondo é elevado com uma braçadeira de ângulo reto e seguido até a
profundidade do acetábulo. Este passo é essencial; muitos cirurgiões
confundem um falso acetábulo com o acetábulo verdadeiro.
I, O ligamento redondo é liberado de sua base no acetábulo com uma
tesoura. O labro do acetábulo pode inicialmente parecer estar dobrado
para dentro do acetábulo, especialmente quando a cabeça estiver
reduzida. Geralmente, isso indica que os obstáculos mediais para a
redução (ou seja, a cápsula, o iliopsoas, e o ligamento transversal)
foram inadequadamente liberados. Após a liberação mais completa
medialmente, a cabeça deve ser redutível sob o labro, que vai elevar o
labro para fora do acetábulo. A excisão do labro quase nunca é
necessária.
Em seguida, o cirurgião examina e determina (1) a profundidade do
acetábulo e a inclinação do seu teto, (2) a forma da cabeça femoral e a suavidade e condição da cartilagem hialina articular que o recobre, (3) o grau de torsão anterior do colo femoral, e (4) a estabilidade do quadril após a redução. Sob visão direta, a cabeça femoral é colocada no acetábulo por meio de flexão, abdução e rotação medial do quadril durante a aplicação de tração e por meio de uma leve pressão contra o trocânter maior. Esta manobra é revertida para redeslocar o quadril. A posição do quadril quando a cabeça femoral sai do acetábulo é determinada e registrada no relatório operatório. Se necessário, um fio de sutura estéril 4-0 ou 5-0 é enrolado em um círculo e colocado contra a cabeça cartilaginosa do fêmur para delineá-lo, o quadril é reduzido e são obtidas radiografias; o fio é, então, removido. Se a articulação do quadril estiver instável ou se, após a redução sob visão direta, a cabeça femoral não estiver suficientemente coberta superior e anteriormente, o cirurgião deve decidir neste momento se deseja realizar uma osteotomia inominada de Salter ou uma osteotomia de derrotação do fêmur proximal.
J e K, Uma capsuloplastia cuidadosa é realizada em seguida. É muito
importante manter a cabeça femoral na sua posição anatômica no
acetábulo. Com a cabeça femoral reduzida, a articulação do quadril é
mantida por um segundo assistente em 30 graus de abdução, 30 a 45
graus de flexão, e 20 a 30 graus de rotação medial durante todo o
restante da operação. O grau de rotação medial depende da gravidade da
torsão anterior.
A bolsa grande e redundante superior à cápsula deve ser destruída por
meio da plicadura e sobreposição de suas bordas livres. A cápsula também deve ser apertada medial e anteriormente com uma sutura do tipo “jaquetão”. Se este fechamento for muito frágil e redundante, uma parte pode ser extirpada. Com o quadril deslocado, suturas não absorvíveis são passadas através da porção medial da cápsula, que ainda está ligada acima do acetábulo. As agulhas são deixadas nas suturas e presas com braçadeiras. O quadril é reduzido, e o segmento superolateral da cápsula é levado medial e distalmente com um grampo Kocher; isto mantém o quadril rotacionado interna e profundamente assentado no acetábulo. As suturas são passadas através da cápsula nesta posição e amarradas. Qualquer cápsula redundante é imbricada neste fechamento com suturas não absorvíveis. As duas metades da apófise ilíaca são suturadas juntas ao longo da crista ilíaca. Os músculos reto femoral e sartório são ressuturados nas suas origens. A ferida é, então, fechada da forma usual. Uma radiografia anteroposterior do quadril é obtida para se garantir uma redução concêntrica antes do molde de gesso do quadril do tipo “um e um e meio” ser aplicado. Para se obter uma verdadeira incidência anteroposterior da pelve, o rolo abaixo do quadril do paciente deve ser removido quando a radiografia for feita. O gesso é aplicado com o quadril em aproximadamente 45 graus de abdução, 60 a 70 graus de flexão, e 20 a 30 graus de rotação medial. O joelho está sempre em flexão de 45 a 60 graus para relaxar os tendões e para controlar a rotação no gesso.