Tachdjian Procedimentos Ortopédicos Pediátricos
Procedimento 7: Transferência Distal e Lateral do Trocânter Maior
P R O C E D I M E N
T O 7
Transferência Distal e Lateral do
Trocânter Maior
Técnica Operatória
A e B, O paciente é colocado sobre a mesa de fratura com o quadril
afetado em uma posição neutra em relação à adução e à abdução, e com
20 a 30 graus de rotação medial para trazer o trocânter maior para a
frente para facilitar a exposição. O quadril oposto é colocado em 40
graus de abdução. A fluoroscopia anteroposterior com intensificador de
imagens é usada para mostrar a cabeça e o colo do fêmur, o trocânter
maior e a diáfise femoral superior. O quadril deve ser rotacionado
medialmente para que o trocânter maior seja visto em perfil, e não
sobreposto ao colo do fêmur. É crucial ver a fossa trocantérica. O
quadril afetado e os dois terços superiores da coxa são preparados e
recobertos de forma habitual.
Uma incisão linear, lateral e longitudinal é feita a partir da ponta do
trocânter maior e distalmente estendida por 10 cm. O tecido subcutâneo é dividido em conformidade com a incisão na pele.
C, A fáscia lata é dividida longitudinalmente na direção das suas fibras.
D e E, O músculo vasto lateral é destacado proximalmente ao tubérculo
abdutor por uma incisão em forma de ferradura baseada proximalmente
e elevado subperiostealmente da diáfise femoral por 5 a 7 cm. O
músculo vasto lateral deve ser elevado ao longo de toda a sua largura.
F, A borda anterior do músculo glúteo médio é identificada, e um
afastador elevador sem corte é introduzido sob a sua superfície
profunda; ele é apontado na direção da fossa trocantérica.
G, Neste momento, para orientar o plano da osteotomia trocantérica
adequadamente, um fio de Kirschner liso é inserido ao nível do
tubérculo abdutor; ele aponta para a fossa trocantérica ao longo de uma
linha que é contínua com o córtex superior do colo do fêmur. A
radiografia com intensificação de imagem verifica o nível adequado e a
profundidade do fio guia. O ponto do fio de Kirschner não deve
sobressair através do córtex medial na fossa trocantérica.
H, Um afastador achatado e sem corte é colocado abaixo da borda
posterior do trocânter maior para proteger os tecidos moles. O afastador
anterior aplicado previamente protege os tecidos moles ventralmente.
Com uma serra reciprocante com 2 a 3 cm de largura, o trocânter maior
é dividido na direção anteroposterior ao longo da borda proximal do fio
de Kirschner. O corte é interrompido a 3 mm do córtex medial da fossa
trocantérica. Deve-se evitar lesões dos vasos na fossa trocantérica para
prevenir a necrose da cabeça do fêmur.
I, Em seguida, um osteótomo achatado de 3 mm de largura é impulsionado
pela fenda da osteotomia e o local da osteotomia é aberto movendo-se a
alça do osteótomo cranialmente. Por meio da aplicação de alavancagem
com o osteótomo na fenda, o operador produz uma fratura “em galho
verde” do córtex medial.
J, Um grande elevador periosteal é colocado no fundo na fenda da
osteotomia; esta fenda se abre medialmente pela alavancagem delicada
da alça para cima e para baixo. O fragmento trocantérico é levantado
superolateralmente com uma pinça óssea Lewin, e as aderências entre a
cápsula articular e o aspecto medial do trocânter maior são liberadas.
Isso deve ser feito com muito cuidado para se evitar ferir os vasos
sanguíneos retinaculares na cápsula. Não frature o trocânter maior. A
mobilização é suficiente quando, com a aplicação de tração lateral e
distal no trocânter maior, a resposta muscular é elástica; se ainda houver
resistência muscular, isto significa que outras aderências estão presentes
e devem ser liberadas.
K, Após uma suficiente mobilização do trocânter maior, o local receptor
na superfície lateral da diáfise femoral superior é preparado com um
osteótomo curvado para criar uma superfície achatada. O cirurgião não
deve remover muito osso lateralmente. Em seguida, o trocânter maior é
deslocado distal e lateralmente; com uma antetorsão femoral excessiva,
ele pode ser movido ligeiramente para a frente. Se for desejado um
avanço distal adicional, o quadril pode ser abduzido na mesa de fratura.
L e M, O trocânter é mantido na posição desejada e temporariamente
fixado ao fêmur com dois fios de Kirschner rosqueados de tamanho
adequado que são perfurados para cima e medialmente. Neste ponto, a
precisão da posição do trocânter maior é verificada pela radiografia com
intensificação de imagens. Como afirmado anteriormente, a ponta do
trocânter maior deve estar nivelada com o centro da cabeça femoral e a
uma distância duas a duas vezes e meia maior que o raio da cabeça do
fêmur. Se houver problemas com a visualização adequada, um fio de
Kirschner longo é colocado horizontalmente e paralelo a ambas as
espinhas ilíacas anterossuperiores de modo que ele atravesse o centro da
cabeça femoral; a posição da ponta do trocânter maior, é então,
verificada.
N, Antes de osteossíntese, o músculo glúteo é dividido na direção das
fibras para expor o osso e para evitar a necrose do músculo. O trocânter
maior é fixado à superfície lateral do fêmur superior com dois parafusos
de compressão (cada um equipado com uma arruela), que são dirigidos
medial e distalmente em ângulos de 45 graus para neutralizar a força
dos abdutores. Para trocânteres grandes, são utilizados parafusos
esponjosos de 6,5 mm com pontas do tipo broca de tamanho apropriado;
com trocânteres menores, são utilizados parafusos de 3,2 mm. O córtex
exterior do trocânter maior pode ser perfurado. A perfuração do córtex
externo é opcional. As arruelas aumentam a área de superfície, ajudam o
operador a evitar o corte através do córtex, garantem uma fixação mais
segura, e permitem uma movimentação precoce. Depois que os dois
parafusos são inseridos, os fios iniciais de Kirschner são removidos.
O, Alternativamente, a fixação pode ser conseguida com dois fios de
Kirschner calibrosos e rosqueados dirigidos medialmente e para cima. A
tração resultante dos abdutores do quadril na direção dos fios criam uma
força que irá comprimir o trocânter maior contra a superfície lateral do
fêmur. Nós não recomendamos a fixação interna com o uso deste
método porque a fixação com parafusos é mais estável. No entanto, em
um paciente obeso ou não cooperativo, os fios de Kirschner enroscados
podem ser usados em conjunto com a fixação por parafusos.
Alternativamente, uma banda de fio de tensão pode ser usada como
descrito no Procedimento 8 na página 29, “Avanço Lateral do Trocânter
Maior”.
P, São obtidas radiografias intraoperatórias finais para assegurar que o
trocânter tenha sido avançado até o local desejado. Em seguida, a
origem destacada do músculo vasto lateral é firmemente suturada à
inserção tendinosa dos músculos glúteos médio e mínimo. Esta sutura
em banda de tensão absorve a força dos abdutores do quadril e reforça a