Free: grátis. O futuro dos preços
Um Milhão de Tipos de “Grátis”
Este livro trata do sentido relacionado ao “custo”: grátis, como a cerveja. Ou, por falar nisso, o almoço.
UM MILHÃO DE TIPOS DE “GRÁTIS”
Mesmo na utilização comercial da palavra “grátis”, vemos uma ampla variedade de sentidos – e modelos de negócio. Algumas vezes, o “grátis” não é realmente grátis. “Compre um e ganhe o outro”, essa é só outra forma de dizer desconto de 50% na compra de ambos os produtos. “Contém um brinde” significa que o custo do brinde foi incluído no produto. Em geral, “remessa grátis” quer dizer que o preço da expedição foi incorporado ao mark-up do produto.
É claro que, algumas vezes, grátis, de fato, é grátis, mas isso dificilmente representa um novo modelo econômico: uma “amostra grátis” é puro marketing, visando apresentar um produto e, ao mesmo tempo, provocar um leve sentimento de dívida moral que pode encorajar as pessoas a comprar o item pelo preço cheio. Um “período gratuito de experiência” pode ser grátis, mas só por tempo limitado, e talvez seja mudar de ideia uma vez que você comece a pagar pelo produto ou serviço. O “ar grátis” em um posto de gasolina é o que os economistas chamam de um “bem complementar” – um produto grátis (calibrar os pneus) para reforçar o interesse do consumidor em um produto pago (todo o restante no posto de gasolina, de um pacote de chicletes ao combustível).
E depois temos todo o universo da mídia paga pela propaganda, desde rádio e televisão abertos à maior parte da Web. O conteúdo grátis pago pela propaganda é um modelo de negócios que remonta a mais de um século: um terceiro (os anunciantes) paga a alguém (o consumidor) para obter o conteúdo gratuitamente.
Finalmente, algumas vezes o grátis é realmente grátis e de fato representa um novo modelo. A maior parte disso ocorre on-line, espaço virtual em que domina a economia digital, com custos marginais praticamente nulos. O Flickr, o serviço de compartilhamento de fotos, na verdade é grátis para a maioria de seus usuários (e nem chega a usar propaganda). Da mesma forma, a maior parte do que o Google oferece é grátis e isento de propaganda ou aplica o modelo de anúncios na mídia a software e aos serviços (como o Gmail), e não ao conteúdo. E também temos a incrível “economia dos presentes” da Wikipedia e da blogosfera, impulsionada pelos incentivos não monetários de reputação, atenção, expressão e assim por diante.