Free: grátis. O futuro dos preços

Chris Anderson · Capítulo 77 de 98

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Free: grátis. O futuro dos preços

16. “Você Recebe Pelo que Paga”

“VOCÊ RECEBE PELO QUE PAGA”

 

E outras dúvidas sobre o Grátis

NO FIM DE 2007, Andrew Rosenthal, editor da página editorial do The New York Times, foi entrevistado pela revista Radar sobre, entre outras coisas, a decisão do Times de divulgar on-line todo o conteúdo gratuitamente por meio da eliminação do sistema de assinaturas Times Select que antes era mantido para os colunistas.

Ele disse o seguinte:

Acho que os participantes da indústria dos jornais se deram as mãos e pularam coletivamente de um

abismo sem qualquer razão aparente quando decidimos anunciar ao mundo que o que fazemos não

tem valor algum. E deveríamos ter cobrado por nossos sites desde o primeiro dia. As assinaturas

sempre foram uma parte do modelo.

Você precisa pagar pelo papel. E precisa pagar pelos pixels. Isso custa dinheiro. E acho que foi

um grande erro. Mas não tenho como voltar atrás. Mas se você analisar a Internet, a única coisa que

é de graça é o que fazemos: informação. Todo o resto custa dinheiro. Os tons de chamada custam $1.

Você paga pelo acesso à Internet. Você paga pelo e-mail. Todo mundo diz que o e-mail é grátis. Não

é grátis. Para começar, você está pagando seu provedor. E se estiver usando algo como o Gmail, está

se transformando em um canal de propaganda para uma grande corporação. Nada é de graça na

Internet. Isso é só conversa-fiada.

Deixando de lado alguns problemas mais óbvios da lógica de Rosenthal (se ele tiver problemas em ser um canal de propaganda para grandes corporações, está trabalhando para a empresa errada), ele de fato levanta algumas questões importantes. Eu o citei na íntegra primeiro porque imagino que muitas cabeças acenaram em concordância quando leram essas palavras pela primeira vez (e podem ter concordado novamente ao ler o texto aqui). Ele também está se baseando em algumas premissas que ouço todos os dias: “Preço zero significa valor zero”, “Você precisa pagar pelos pixels”, nada é de graça na Internet porque “você está pagando seu provedor de Internet para isso”, a única coisa grátis na Internet é a “informação” e assim por diante.

Existe um quê de verdade em cada uma dessas afirmações, mas essa forma de pensar também está errada – profundamente errada, errada quase ao ponto da perplexidade. No entanto, não passa um dia sem que eu ouça essas e outras dúvidas referentes ao Grátis com uma lógica tão frágil quanto as das dúvidas de Rosenthal (além do rótulo de “freetard”, o retardado do grátis, que continuo a achar engraçado, embora saiba que não deveria). Então, veja, a seguir, as 14 objeções mais frequentes à noção de uma economia baseada no Grátis, com um exemplo de cada, e minha resposta: