Free: grátis. O futuro dos preços

Chris Anderson · Capítulo 81 de 98

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Free: grátis. O futuro dos preços

4. O Grátis é só uma forma de propaganda (e não tem limites).

É fácil ver por que as pessoas se confundem com isso, por que, de fato, existem alguns mercados em que a transmissão também subsidia o conteúdo. Na TV a cabo, por exemplo, a empresa de cabo local paga uma taxa de licença para grande parte do vídeo que envia pelos cabos, e essa taxa é paga com o dinheiro de sua conta mensal. Mas a Internet não funciona assim: seu provedor não controla ou paga pelos bits que transmite. (Em termos legais, trata-se de uma “operadora comum”, como uma companhia telefônica.)

Em termos práticos, esse erro também resulta de medir o valor de algo usando as unidades erradas. Em termos de seu conteúdo mineral, meu filho mais novo vale cerca de $5 aos preços atuais do spot market, mas eu não o venderia. Ele vale mais para mim devido à forma como esses minerais são organizados e todos os outros átomos, estados quânticos e atributos adoráveis que se combinam para fazer dele uma pessoa. Confundir o custo de transmitir os megabits com o custo de fazê-los e o que eles valem para o destinatário é um erro similar de não ver direito onde o valor de fato reside. E o valor não está na rede, está na produção e no consumo, quando os bits são transformados em significado.

 

4. O Grátis é só uma forma de propaganda (e não tem limites).

No mundo “grátis” de hoje, na maioria das categorias de negócios on-line, é inerentemente impossível abrir um

pequeno negócio autossustentado e desenvolvê-lo. Isso ocorre porque, no mundo digital, a propaganda, a única fonte

real de receita, não tem como sustentar um pequeno negócio digital. Se os negócios se baseassem na ideia de as

pessoas pagarem pelos serviços, as pequenas empresas poderiam ter algum sucesso e crescer. Mas é muito difícil cobrar

quando sua concorrência é grátis.

Hank Williams, no Silicon Alley Observer

Uma das maiores falácias do Grátis na Web é que ele é só uma forma de propaganda. Apesar de ser verdade que modelos com base em propaganda dominaram a primeira era da Web, hoje em dia o freemium – o modelo no qual algumas pessoas pagam diretamente e sustentam muitas outras que não

pagam nada – está crescendo rapidamente para competir com eles (como vimos no Capítulo 1). Os videogames on-line, por exemplo, estão, em sua maioria, escolhendo a estratégia freemium, da mesma forma que a categoria do software com base na Web, que está crescendo rapidamente (conhecido como “software como um serviço”). Williams está certo em dizer que a maioria dos negócios na Web é de pequenos negócios e que é difícil sustentar um pequeno negócio com a propaganda. Mas ele está errado quando sugere que esse é o único modelo de negócios disponível para as empresas on-line. Cada vez mais empresas são como o 37signals, de Chicago, que usa amostras grátis e períodos gratuitos de experiência para comercializar software pago no estilo antigo: pagamento direto pelos clientes.

Soa como uma economia obsoleta? Talvez, mas, com o mercado certo, pode funcionar. David Heinemeier Hansson, um dos fundadores do 37signals, diz que o segredo da empresa não é se voltar a consumidores individuais (é difícil fazê-los abrir a carteira) ou grandes empresas (um mercado apinhado e com um processo de compras moroso). Em vez disso, a empresa se concentra na “lista dos 5 milhões da Fortune” – pequenas empresas com necessidades específicas que não são bem atendidas. Um software de gerenciamento de projetos para equipes de 12 pessoas é o tipo de produto que a 37signals vende e as empresas que se sentem frustradas com aplicativos extremamente complexos desenvolvidos para grandes empresas e alternativas de código aberto de difícil utilização ficam felizes em pagar algumas centenas de dólares por ano pela versão da 37signals.