Free: grátis. O futuro dos preços
Períodos Gratuitos de Experiência
“Embora três milhões de computadores sejam vendidos a cada ano na China, as pessoas não pagam por nosso software”, Gates disse em 1998 a um grupo de estudantes da University of Washington. “Mas um dia eles pagarão e, já que eles vão roubar de qualquer jeito, queremos que eles roubem de nós. Eles vão se viciar e, de alguma forma, descobriremos como ser pagos em algum momento na próxima década.”
E essa hora está chegando. A China enriqueceu, os computadores ficaram mais baratos (a categoria mais vendida agora é a de “netbooks”, laptops com menos recursos que chegam a custar apenas $250) e a Microsoft reduziu os preços de seus sistemas operacionais para essas máquinas para cerca de $20 (menos de um quarto do que cobra pelas versões comuns). A pirataria gerou dependência e ajudou a reduzir o custo da adoção quando isso era importante. Atualmente, depois de algumas décadas de pirataria, vemos um enorme mercado pago na China além do mercado de piratas, a Microsoft manteve seu domínio e também manteve os consumidores que têm mais dinheiro e menos tolerância aos inconvenientes que acompanham o software não autorizado. A estratégia de Gates de não fazer muito alarde em relação à pirataria, em vez de impor as ações brutais que seriam necessárias para eliminá-la, se pagou completamente.
PERÍODOS GRATUITOS DE EXPERIÊNCIA
Na década de 1990, enquanto a Microsoft combatia a pirataria no exterior, a empresa concorria com um tipo diferente de Grátis no próprio território. Depois de vencer as guerras do sistema operacional, ela lutava para manter a liderança no mercado dos aplicativos, de processadores de textos a planilhas eletrônicas. Concorrentes como o Word-Perfect Office e o Lotus SmartSuite cobravam preços irrisórios dos fabricantes de PCs para incluir o software nos novos computadores. Eles esperavam que os novos consumidores utilizassem o software que vinha com o computador, investindo nos programas em termos de aprendizado e arquivos e, quando chegasse a hora de fazer upgrade para uma versão paga, eles já seriam clientes cativos.
Isso desacelerou o crescimento da participação de mercado da Microsoft o suficiente para preocupar Gates. Ele decidiu reagir na mesma moeda. A Microsoft desenvolveu a própria versão simplificada do Office, chamada Microsoft Works, e cobrava dos fabricantes de PCs apenas $10 para incorporá-la aos novos computadores. Isso se comparava ao baixo preço oferecido pelos concorrentes e, como o Works era compatível com o Office, era uma forma de manter os consumidores na esfera de influência da Microsoft, mesmo que a empresa não ganhasse muito dinheiro com esse produto destinado a usuários iniciantes.
A mesma estratégia foi usada pela Microsoft à medida que o mundo passava do desktop à Web. A Netscape lançou um navegador grátis, o Navigator, desmonetizando instantaneamente essa indústria nascente. E o pior: o navegador grátis da Netscape era feito para funcionar melhor com o próprio software patenteado de servidor da Web da empresa, em uma tentativa de abocanhar parte do lucrativo mercado de sistemas operacionais de servidores das Microsoft.
Mais uma vez, a Microsoft foi forçada a reagir. E rapidamente desenvolveu o próprio navegador gratuito, o Internet Explorer, e o incorporou a todas as versões de seu sistema operacional. Isso teve o efeito desejado de controlar o crescimento da Netscape, mas a Microsoft pagou o preço com uma década de ações antitruste e multas por comportamento anticompetitivo. Os caçadores de trustes atacaram a empresa por “vincular” um produto gratuito a um pago. Tudo bem com o Grátis, os legisladores disseram, mas não se você for um monopólio e estiver usando o Grátis para manter os concorrentes do lado de fora do mercado.
Na teoria antitruste, como a empresa dominante no mercado tem capacidade única de subsidiar um produto grátis com um pago (com o qual ela pode extrair rentabilidade de monopólio), ela precisa tomar mais cuidado com a forma como utiliza o Grátis. No final, a Microsoft recebeu permissão de continuar incorporando software grátis, de navegador a aplicativos de backup, em seus sistemas operacionais, mas o custo foi de centenas de milhões de dólares em multas, honorários legais e danos à reputação da empresa.