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Chris Anderson · Capítulo 68 de 98

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13. O Desperdício (Algumas Vezes) É Bom

O DESPERDÍCIO (ALGUMAS VEZES) É BOM

 

A melhor forma de explorar a abundância é abdicar do controle

 

VOLTA E MEIA NO TRABALHO, recebo um e-mail do departamento de informática informando que é hora de os empregados “deletarem os arquivos desnecessários das pastas compartilhadas”, que é a maneira de o TI dizer que a capacidade de armazenamento dos computadores está se esgotando. Como somos todos bons cidadãos corporativos, diligentemente abrimos nossas pastas no servidor e percorremos os arquivos para ver se realmente precisamos deles, deletando aqueles sem os quais achamos que podemos viver. Talvez você já tenha passado por isso.

Um dia, depois de anos fazendo isso, comecei a querer saber quanto espaço de armazenamento o departamento de informática de fato tinha para nosso escritório. Para lhe dar uma ideia da resposta, um terabyte de armazenamento (1.000 GB) custava cerca de $130 na ocasião. Recentemente, quando compramos um desktop padrão da Dell em casa, que meus filhos usam para brincar, ele vinha com um disco rígido de um terabyte.

Então, quanto espaço de armazenamento tínhamos disponível para todo escritório? Descobri que não tínhamos tanta sorte: 500 GB – meio terabyte. Meus filhos tinham duas vezes mais armazenamento que todo o meu escritório.

Como isso aconteceu? A resposta é simples: de alguma forma, ficamos achando que o espaço de armazenamento era caro quando o fato é que agora ele está sendo vendido a preço de banana. Estávamos tratando o abundante – capacidade de disco rígido – como se fosse escasso, e o escasso – o tempo das pessoas – como se fosse abundante. Invertemos a equação. (Devo dizer que meu escritório rapidamente acrescentou um monte de armazenamento e e-mails como esses não são mais enviados!)

Isso acontece em toda parte. Quando a companhia telefônica lhe diz que sua caixa postal está cheia, isso é uma escassez artificial – custa menos de $1 armazenar 100 mensagens de voz e um iPod é capaz de armazenar, em média, 30 mil dessas mensagens (mensagens de voz são gravadas em qualidade inferior à música, de modo que ocupam menos espaço). Ao forçar os assinantes a deletar as mensagens, as companhias telefônicas estão poupando um pouco de dinheiro em custos de armazenamento em troca de muito tempo do consumidor. Elas administram a escassez que conseguem mensurar (armazenamento), mas deixam de administrar a escassez muito maior da boa vontade dos clientes. Não é de se surpreender que, nos Estados Unidos, as companhias telefônicas se classifiquem em segundo lugar, perdendo apenas para as empresas de TV a cabo, na categoria das “mais odiadas”.

Essa é uma lição sobre receber o desperdício de braços abertos. Da mesma forma que Carver Mead pregou o desperdício de transistores e Alan Kay reagiu desperdiçando-os para facilitar a utilização dos computadores, os inovadores de hoje são aqueles que identificam as novas abundâncias e descobrem como acabar com elas. No bom sentido!