Free: grátis. O futuro dos preços
Amostras, Presentes e Brindes
De acordo com o relato, o costume do almoço grátis estava alimentando milhares de homens que sobreviviam “exclusivamente desse tipo de refeição”. O artigo do Times prosseguia:
Um balcão de almoço grátis é um grande democratizador de classes e, quando um homem se
posiciona diante de um deles, deve abrir mão de toda esperança de aparentar nobreza… Todas as
classes de pessoas podem ser vistas partilhando dessas refeições gratuitas e se empurrando e se
acotovelando para se servir uma segunda vez.
Com efeito, o quase indigente “viciado no almoço grátis” na verdade se tornou um tipo social reconhecível. Outro artigo do The New York Times, de 1872, menciona desocupados do almoço grátis que “não labutam, mas sobrevivem”, visitando tabernas e pedindo bebidas a estranhos. “Se esse inexplicável viciado no almoço grátis não ganhar uma bebida de alguém, devorará o que puder e, quando o responsável pelo estabelecimento estiver ocupado, tentará escapar sem ser notado.”
Em São Francisco, o costume chegou com a Corrida do Ouro e permaneceu durante anos. Em 1886, um artigo do Times sobre a evasão dos mineradores em São Francisco, chama o viciado no almoço grátis de “o único resquício do passado”. A história começa com a pergunta “Como essas pessoas à toa sobrevivem?” para depois apontar o culpado. “Tire essa instituição típica da Califórnia”, o artigo conclui, “e eles morreriam de fome”.
Em qualquer outro lugar, o almoço grátis colidia de frente com o movimento da moderação.1 Um artigo de 1874 sobre a batalha para banir o álcool sugere que o almoço grátis – além de mulheres e música – não passava de uma forma de encobrir um bar cheio. O álcool era o “centro em torno do qual todas essas outras coisas passaram a girar”.
Outros argumentavam que, na verdade, o almoço grátis tinha função de ajuda social. O reformista William T. Stead comentou que, no inverno de 1894, as tabernas que ofereciam almoço grátis “alimentaram mais pessoas famintas em Chicago do que todas as outras instituições, religiosas, de caridade e municipais, juntas”. Stead menciona a estimativa de um jornal de que os donos de tabernas alimentavam 60 mil pessoas por dia. E ele observou, essas três mil tabernas faziam isso sem qualquer pretensão filantrópica.
Dois anos depois, em 1896, o estado de Nova York aprovou a Lei Raines, que pretendia controlar o tráfico de bebidas alcoólicas. Entre as várias disposições, uma delas proibia a venda de bebidas alcoólicas, a menos que a compra fosse acompanhada de comida. Outra proibia totalmente o almoço grátis. No entanto, esse preceito legal não durou muito. No ano seguinte, foi promulgada uma emenda à Lei Raines para permitir os almoços grátis. O costume sobreviveu por mais algumas décadas.
AMOSTRAS, PRESENTES E BRINDES
No início do século XX, o Grátis ressurgiu com a nova indústria de produtos embalados. Com o surgimento de marcas, propaganda e distribuição nacional, o Grátis se tornou um artifício de vendas. As amostras grátis não eram novidade, mas seu marketing de massa se deve a um gênio do marketing do século XIX chamado Benjamin Babbitt.